Quase 150 anos depois de terem sido escritos, um conjunto de artigos jornalísticos assinados por Mark Twain foi reunido, autenticado e posto à disposição do público. O trabalho foi de investigadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que vasculharam dezenas de jornais da costa ocidental americana para encontrarem esta parte do trabalho e da vida do autor que é menos conhecida.

Os textos agora revelados foram escritos maioritariamente quando Twain tinha 29 anos e escrevia na redação do San Francisco Chronicle, na cidade com o mesmo nome. As reportagens, porém, não ficavam ali: eram enviadas por diligência para o Territorial Enterprise, um jornal do estado do Nevada, que as publicava no dia seguinte. Depois, muitos jornais da costa Oeste replicavam esses artigos e as histórias que Twain escrevia chegavam, assim, a uma vasta audiência.

Foi a réplica dos textos que permitiu identificar muitos deles, uma vez que, segundo o jornal local de São Francisco SFGate, os arquivos do Territorial Enterprise arderam e grande parte do trabalho de Twain perdeu-se no fogo. Depois de quase 50 anos encerrado, o Territorial Enterprise voltou às bancas em março deste ano numa versão mensal.

Quanto aos artigos de Twain, eles revelam um pouco do que era a vida de São Francisco em meados do século XIX e abordam uma grande variedade de temas. Num dos artigos, por exemplo, o autor de “Tom Sawyer” compara o chefe da polícia de São Francisco a um cão (foi processado por isso). Noutro, descreve um acidente numa mina, enquanto outros são dedicados à corrupção e outros temas. Todos os artigos serão disponibilizados brevemente na internet, mas o Guardian já tem alguns para espreitar.

Bob Hirst, o homem responsável pela descoberta destes artigos, compara a digitalização dos arquivos de jornais a “abrir uma grande caixa de doces”. Isto porque foi a passagem do microfilme ao digital que permitiu uma pesquisa mais abrangente e detalhada dos trabalhos de Twain. “Isto são coisas novas, mesmo para os fãs de Twain”, diz Hirst, para quem estes artigos traduzem o génio do escritor. “Ele conhece a cidade, é boémio, é interessado no que se passa. E junta tudo isto com a maior clareza e humor que se possa imaginar”, afirma o especialista.

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