A decisão de Rui Rio quanto ao seu futuro político deverá ser tomada até julho. É esta a expetativa no seio do PSD tendo em conta o calendário para as eleições legislativas.

Rui Rio tem duas opções em aberto neste momento. Pode candidatar-se às eleições presidenciais, em janeiro de 2016, ou à liderança do PSD, caso este partido perca as eleições legislativas, em outubro. Ora, as listas de candidato a deputados serão fechadas entre julho e agosto e, nessa altura, já se poderá perceber para que lado está a ser tentado o ex-autarca do Porto.

Se quiser candidatar-se no futuro ao primeiro posto do PSD, Rio deverá mostrar que está disponível a candidatar-se a deputado, ou seja, que está disponível a ajudar o partido na batalha eleitoral das legislativas, salientam os sociais-democratas ouvidos pelo Observador. Rio Já foi deputado, lugar que suspendeu quando foi eleito presidente da Câmara do Porto e onde se manteve durante 12 anos. Saiu em 2013 e, portanto, agora já não tem esse impedimento formal para não integrar as listas de deputados. O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, também ligado ao distrito do Porto, já o desafiou publicamente, em entrevista ao Observador, a disponibilizar-se para a campanha de outubro.

“Eu vou ser ativo para que ganhemos as eleições [legislativas]. Espero que pessoas de referência do PSD como Rui Rio venham a ser cabeça de lista em círculos eleitorais para que possam ganhar as eleições”, disse Aguiar-Branco. Nuno Morais Sarmento, também em entrevista ao Observador, considera que Rio teria perfil tanto para ser candidato a líder do PSD como Presidente da República. “Se achar que for útil [concorrer a qualquer um destes cargos, Rui Rio] tem a obrigação de estar disponível”, explica, acrescentando: “Mas não para fazer um bloco central. Isso seria o toque de finados na realidade política”, defendeu.

Em abril, o próprio Rui Rio declarou, sobre as presidenciais, que está a pensar nisso. “Eu era hipócrita se dissesse que não penso [nas presidenciais]. Então, com notícias quase todos os dias. É tarde para quê, para as presidenciais? De forma nenhuma, bem pelo contrário”, disse, antes do início de um debate promovido pela Academia Sá Carneiro do PSD/Porto.

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Esta sexta-feira à noite, Rui Rio estará presente, no Porto, no lançamento da sua biografia “De corpo inteiro”, que já está nas bancas há vários meses.

Se Rio ficar de fora das listas (que devem ficar definidas e julho, sendo que o prazo para a sua entrega é agosto), isso será visto como um sinal de que se estará a reservar para outros desafios, como o Palácio de Belém.

Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes, os outros dois putativos candidatos presidenciais da área da direita, têm defendido que só deve haver candidatura depois das eleições legislativas. Mas no acordo de coligação assinado dia 25 de abril, PSD e CDS escreveram que devem encetar conversas para um nome comum “preferencialmente depois das legislativas” – o que foi entendido como um sinal de que, afinal, a direção do PSD preferiria Rio.