Rádio Observador

Montepio

Mudanças na gestão de Montepio só a partir de julho

A mudança de estatutos da caixa económica tem de ser ratificada em assembleia-geral da associação mutualista. Só depois podem os novos órgãos sociais o novo CEO assumir os cargos.

Miguel A.Lopes/LUSA

O atual presidente da Inapa aceitou o convite para liderar o Montepio Geral, com funções executivas, segundo comunicado emitido pela instituição na terça-feira à noite. José Félix Morgado vai ser proposto como candidato à presidência do conselho de administração executiva, mas antes da sua nomeação é preciso que a mudança de estatutos da caixa económica seja confirmada. A Inapa já informou que o atual presidente executivo cessará as suas funções no final do mês.

Esta mudança no governo da sociedade, que reforça a independência entre a gestão do banco e do acionista, foi aprovada a 26 de maio na assembleia geral do Montepio, mas ainda terá de ser ratificada pela assembleia-geral da própria associação mutualista. E esta reunião ainda não está marcada, mas prevê-se que venha a ocorrer até ao final de junho ou início de julho. Só depois pode a comissão de nomeações apontar não só o novo presidente executivo (CEO) para o banco, mas também os restantes elementos do conselho de administração executivo que será alargado dos atuais cinco para sete elementos.

Serão também propostos os membros do novo conselho geral e de supervisão, um órgão não executivo e de fiscalização, que deverá ser presidido pelo atual presidente do Montepio. António Tomás Correia ficará como presidente não executivo da caixa económica.

O Banco de Portugal terá ainda de avaliar a idoneidade dos futuros titulares dos órgãos sociais, ao abrigo das competências previstas no regime geral das instituições de crédito e sociedades financeiras.

Segundo a instituição, “a modificação aprovada teve por propósitos, por um lado, alterar a política de governo da instituição ao proceder à eliminação de cargos por inerência, tornando-a totalmente independente do Montepio Geral – Associação Mutualista, e por outro lado, introduzir nos estatutos modificações decorrentes do novo regime geral das instituições financeiras, designadamente através da consagração da existência de diversos comités com competência especializada”. A instituição avisava que o processo de revisão estatutária só ficará concluído após a homologação das deliberações ora tomadas pela assembleia geral do Montepio Geral – Associação Mutualista.

Para o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, as mudanças introduzidas no governo da caixa económica vão no bom sentido.

O Montepio adota assim um modelo de governo dualista que ficou famoso em Portugal por causa do conflito de poder no BCP quando os cargos de presidente executivo e do conselho geral e de supervisão foram ocupados por Paulo Teixeira Pinto e Jorge Jardim Gonçalves, respetivamente. Este modelo não tem sido o preferido pela maioria das empresas cotadas onde o conselho de administração alargado com comissão executiva é mais comum, embora se mantenha, por exemplo, na EDP.

Se as mudanças de estatutos e de gestores poderão ficar clarificadas nos próximos dias, já as eleições para os órgãos da associação mutualista só deverão ocorrer em dezembro deste ano. O atual presidente do Montepio denunciou em conferência de imprensa aquilo que qualificou de “campanha de intoxicação”, a propósito de notícias negativas e suspeitas que têm sido veiculadas sobre a situação da instituição, na sequência de uma auditoria especial do Banco de Portugal. Tomás Correia admitiu que um ano de eleições para a associação mutualista é sempre um momento emocionante. O gestor tenciona concorrer a um novo mandato para presidir ao grupo Montepio.

Reforço de capitais

Para além da mudança de estatutos, o Montepio tem ainda em marcha operações de reforço de capital, através da emissão de novas unidades de participação no valor de 200 milhões de euros que serão subscritas pelo único acionista, a associação mutualista. Esta sexta-feira, os detentores destes títulos, entre os quais clientes de retalho do banco, vão votar em assembleia geral uma proposta para prescindirem do direito de preferência. O objectivo a prazo é colocar estas unidades junto de investidores institucionais internacionais.

Paralelamente, o banco tem vindo a alterar as condições das emissões de obrigações, designadamente ao nível do prazo de reembolso e possibilidade de resgate antecipado, de forma a acautelar que estes títulos possam continuar a contar para os fundos próprios.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: asuspiro@observador.pt
Crescimento Económico

Como vai o motor da nossa economia?

Luís Ribeiro

Estamos a viver “à sombra da bananeira” de uma alta imobiliária que alguns consideram já ser mais uma “bolha” do que um “boom”. É uma ilusão que se esfuma facilmente e é incapaz de arrastar a economia

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)