O partido do Presidente islamita-conservador turco Recep Tayyip Erdogan perdeu neste domingo a maioria absoluta que detinha no parlamento há 13 anos.

De acordo com o El Pais, Erdogan e o seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) obtiveram 40,8% dos votos, o que significou a eleição de 255 dos 550 deputados, ficando assim a 21 lugares de conseguir a maioria absoluta. Depois de repetir maiorias absolutas ao longo de 13 anos e de ter conseguido obter quase metade dos votos na mais recente eleição legislativa, este recuo do partido do Presidente turco vai obrigá-lo a encontrar o apoio que lhe falta para formar governo, o que, nota a BBC, será um desafio desafio complexo.

Para este recuo do AKP e, sobretudo, para a perda da sua maioria absoluta, muito contribuiu o resultado da formação pró-curda Partido Democrático do Povo (HDP), que mais do que duplicou a votação e conseguiu ultrapassar os 10% de votos necessários para entrar na Assembleia Nacional. Com 12,9% dos sufrágios, elegeu 80 deputados. O crescimento deste partido ficou a dever-se, em boa parte, ao voto de protesto das classes médias urbanas, as que nos últimos anos protagonizaram algumas das grandes manifestações de protesto contra a deriva autoritária do regime turco.

Já os dois principais, e habituais, concorrentes do partido do poder, não registaram evoluções tão importantes. O Partido Republicano do Povo (CHP, laico e social-democrata) ficou-se pelos 25,1%, passando de 135 para 133 deputados. Já o Partido de Ação Nacionalista (MHP, religioso e da direita radical) obteve 16,4% dos votos, o que lhe permitiu passar de 53 para 82 eleitos.

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Esta votações mostrou que os eleitores turcos não aceitaram a intenção do AKP, que queria reformular a Constituição do país, o que atribuiria mais poder a Recep Tayyip Erdogan, que depois de ter sido primeiro-ministro é agora Presidente, um cargo com pouco poder executivo. Mesmo assim o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, reafirmou na noite eleitoral a intenção de rever a Constituição: “Está na hora de enterrar a Constituição saída do golpe de 1980, pelo que apelo a todos os partidos para que se sentem e escrevam uma nova Constituição mais livre e democrática”.

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Este resultado eleitoral e o recuo do AKP ficou a dever-se também à saída do carismático Erdogan da chefia do Governo – foi eleito Presidente, um cargo com pouco poder executivo, há menos de um ano, recolhendo 52% dos votos -, e a uma prestação menos vigorosa da economia, que depois de anos de crescimento muito rápido, este ano deverá ficar abaixo dos 3% de aumento do PIB.

O resultado eleitoral, ao abrir um período de algum impasse político, já começou a afectar os mercados, com a bolsa turca a registar quebras acentuadas na sua abertura, esta segunda-feira de manhã.