A cidade de Lamego, no distrito de Viseu, vai acolher na quarta-feira as comemorações do 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Como sempre, caberá ao Presidente da República dirigir a cerimónia, tradicionalmente aproveitada para homenagear aqueles que mais se destacaram ao serviço do país. Ora, o que Cavaco Silva talvez não esperasse era ter a “presença” alegórica de José Sócrates.

Não se sabe quem, nem como, mas esta segunda-feira foi colocado um outdoor na cidade de Lamego onde, além da cara do ex-primeiro-ministro, se pode ler “José Sócrates, sempre”, o mesmo lema utilizado pelo grupo de apoiantes que tem desenvolvido várias ações de protesto contra a detenção do antigo governante.

A iniciativa não será inocente: além de ser mais uma ação de protesto, José Sócrates é, até hoje, o único ex-primeiro-ministro que não foi condecorado pelo Chefe de Estado depois de cessar funções. Quatro anos depois de deixar São Bento, Sócrates ainda não recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, apesar de já ter uma outra condecoração anterior, dada em julho de 2005 por Jorge Sampaio e pelo seu trabalho na organização do Euro 2004: a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

O facto de Cavaco Silva não ter condecorado José Sócrates, procedimento que, não sendo obrigatório, tem sido tradição em Belém em relação aos ex-primeiros-ministros, chegou a revoltar alguns setores do Partido Socialista, que acusavam Cavaco de não o fazer “por questões pessoais”. Em novembro, Augusto Santos Silva, ex-ministro de Sócrates, chegou mesmo a pedir a Cavaco para não condecorar José Sócrates porque o engenheiro “não merecia tamanha nódoa no seu currículo“.

Do lado da Presidência, a resposta a estas críticas foi sempre o silêncio. O tema acabou por ser esquecido por esses setores do PS depois de José Sócrates ter sido detido e preso preventivamente no âmbito da Operação Marquês.