O número de infetados pela Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV) na Coreia do Sul não para de subir. E o pânico que se vive junto da população também tem vindo a crescer. Perante este cenário, os especialistas desdramatizam e procuram tranquilizar os locais, afirmando que o risco de contágio deste vírus é baixo. Também não há evidências de que esta síndrome se possa converter em pandemia.

“Não é uma doença muito contagiosa”, afirmou Stanley Perlman, um dos autores que assina uma publicação sobre a MERS este mês, na revista Lancet.”As pessoas não se devem preocupar, mas eu consigo entender o fator medo”, rematou, citado pela CNN.

Os especialistas acrescentam que as pessoas que não estiveram na Arábia Saudita, nem estiveram doentes num hospital da Coreia do Sul, podem ficar calmas pois o risco de contraírem a MERS é baixo. A contaminação faz-se por contacto direto.

Estima-se que uma pessoa que tenha contraído MERS infete menos de uma pessoa, em média. De acordo com este mesmo índice, é provável que uma pessoa com Ébola contamine outras duas pessoas e alguém com sarampo pode infetar, em média, 15 pessoas.

Mas estes números ou não são conhecidos ou dizem pouco às populações. Pois a verdade é que o pânico está instalado na Coreia do Sul, como retratam várias notícias. Nas ruas de Seul, as pessoas passeiam de máscaras no rosto, há 3.800 pessoas de quarentena e cerca de 2.400 escolas continuam fechadas no país. Isto embora, na quarta-feira, especialistas da Organização Mundial da Saúde e autoridades locais já tenham pedido a reabertura das escolas, uma vez que o surto no país está contido a dois hospitais e não há evidência de transmissão na comunidade.

O balanço, para já, aponta para 122 infetados e 10 mortos, de acordo com os dados noticiados, esta quinta-feira, pela Associated Press. Todas as pessoas que acabaram por morrer tinham problemas de saúde associados como cancro, problemas cardíacos e outros, segundo o governo.

De acordo com a OMS, aproximadamente 36% dos pacientes diagnosticados com MERS, desde 2012, acabaram por morrer. Na Coreia do Sul, porém, a taxa continua abaixo dos 9% (10 em 122 infetados), mas os especialistas acreditam que este número está abaixo da taxa que se vinha registando nos últimos anos porque na contabilização dos infetados na Coreia do Sul poderão estar a entrar pessoas que não estão verdadeiramente infetadas com o vírus.

O primeiro doente infetado com MERS na Coreia do Sul foi diagnosticado a 20 de maio, depois de uma visita à Arábia Saudita. Tinha 68 anos. Segundo os dados até agora conhecidos, este vírus atinge sobretudo pessoas mais velhas e só foi relatado um caso de infeção num adolescente e, esta quinta-feira, numa mulher grávida.

A MERS é da família do vírus responsável pela Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) que, em 2008, fez cerca de 800 mortos em todo o mundo, mas é mais mortal e menos contagioso.

A primeira vítima mortal da MERS ocorreu em 2012, na Arábia Saudita, e desde então até ao início de junho de 2015 este coronavírus tinha infetado mais de 1.000 pessoas, em 25 países diferentes, das quais 442 acabaram por morrer. Mais de 85% das vítimas mortais registaram-se na Arábia Saudita.

Para já, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não impôs, nem aconselhou, restrições ao nível das viagens, mas Hong Kong, na China, – que, há cerca de dez anos, lutou contra a Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) – emitiu um alerta vermelho aos viajantes, no sentido de evitarem viagens não essenciais para a Coreia do Sul.

Tal como aquele a SARS, a MERS provoca uma infeção pulmonar e as pessoas que ficam infetadas sofrem de febre, tosse e dificuldades respiratórias.