O Governo francês assegurou que a França não encerrou a sua fronteira com a Itália para evitar a passagem de imigrantes ilegais, mas que apenas reforçou o controlo para aplicar as regras europeias em vigor.

O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, recordou que, de acordo com as leis europeias, quando se deteta alguém sem autorização legal de permanência na União Europeia, o direito comunitário obriga a devolver essa pessoa ao país por onde entrou, neste caso a Itália.

“Não há um bloqueio da fronteira porque estamos num espaço aberto, há apenas o cumprimento das regras”, afirmou o ministro, numa entrevista à cadeia de televisão BFM TV.

Segundo Cazeneuve, há que diferenciar os imigrantes económicos irregulares e aqueles que estão em condições de pedir asilo porque a sua vida está ameaçada no país de origem.

Os primeiros, segundo o ministro, não é possível acolher. “Seria irresponsável pensar que poderíamos fazê-lo e é necessário que sejam reconduzidos à fronteira, razão pela qual se deve trabalhar com os países de origem para organizar esses regresso em condições mais dignas”, disse.

Sobre os que procuram o estatuto de refugiado, devem ser repartidos entre os países da UE, defendeu o ministro.

“É necessário que Itália aceite que a UE estabeleça centros de acolhimento para que os imigrantes sejam identificados, porque senão a solidariedade não poderá funcionar”, disse Cazeneuve.

Segundo o ministro, para garantir “a sustentabilidade do acolhimento” é preciso uma política firme e uma solução europeia face a um “problema mundial e de extraordinária complexidade”.

Uma centena de imigrantes, sobretudo eritreus e senegaleses, estão desde sábado bloqueados na cidade italiana de Ventimiglia à espera de prosseguir o seu caminho para países como a Suécia, a Alemanha ou a França.