Há cada vez menos abortos em Portugal. No ano passado houve uma diminuição das Interrupções da Gravidez (IG) em 9,3% por todos os motivos e em 9,5% por opção da mulher nas primeiras dez semanas. Os números são claros: em 2013 houve 221 abortos por 1000 nados-vivos. Em 2014, essa relação baixou para 201 abortos por 1000 nados-vivos.

A interrupção da gravidez foi aprovada por referendo em 2007 — daí até 2011 registou-se um aumento do número de IG por opção, particularmente entre 2008 e 2009, seguindo-se uma estabilização do número de intervenções entre 2010 e 2011. Os números absolutos das IG por opção até às dez semanas têm diminuído desde 2012.

Segundo as contas da Direção Geral de Saúde, apresentadas agora, em 2014 foram realizadas 16589 intervenções sendo que a grande maioria aconteceu por opção da mulher (97%) nas primeiras dez semanas. Seguem-se as IG realizadas por “grave doença ou malformação congénita do nascituro” (2,6%).

Portugal está abaixo da média europeia, sublinha o documento. Considerando os dados de 2012 (os disponíveis para comparação, visto que o European Health for all database (HFA-DB) não dispunha de dados de 2013 e 2014 à data da consulta da DGS), a Bulgária está no topo: houve mais de 433 abortos por mil nados-vivos. A Suíça registou o número menor, com 132 abortos por mil nados-vivos. Nessa altura, Portugal estava nos 211 abortos por mil nados-vivos.

Maioria tem perto de 20 anos e está na região de Lisboa e Vale do Tejo

O documento apresenta também a caracterização das mulheres que efetuaram a interrupção da gravidez em 2014. A maioria, que o faz por todos os motivos, está entre os 20 e os 34 anos (63,8%), sendo que a grande fatia das mulheres tem entre 20 e 24 anos.

Os registos da DGS revelam que 57,01% dos abortos realizaram-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, seguindo-se a região norte (23,17%), a região centro (11,66%), o Algarve (6,82%), a Madeira (1,32%) e por fim estão as regiões do Alentejo (0,01%) e Açores (0,01%). Quanto ao tipo de unidades em que se procedeu à IG, os estabelecimentos públicos continuam a ganhar (70,72%). Nas unidades privadas realizaram-se 29,28% dos abortos de 2014.

A maioria das mulheres procedeu à intervenção pela primeira vez: 71,1% nunca tinham realizado anteriormente uma interrupção, 21,9 % tinham realizado uma, 5,1 % tinham realizado duas e 1,9% já tinham realizado três ou mais no decorrer da sua idade fértil.