Com acordo ou sem acordo, eis a questão. Como vai terminar a cimeira? Na segunda-feira joga-se em Bruxelas aquele que está a ser visto como dia do sim ou não, com os líderes dos países da zona euro a reunirem-se numa cimeira extraordinária para tentar um acordo de última hora. A pressão aperta e os líderes europeus não querem ver repetir-se o episódio de quinta-feira, onde a reunião dos ministros das Finanças terminou sem fumo branco. O núcleo central do Governo esteve reunido este sábado e já anunciou que vai voltar a reunir-se domingo de manhã, na residência oficial do primeiro-ministro, para discutir os termos e os limites que vai levar para o centro das negociações. Todos garantem que estão empenhados em “encontrar uma solução”.
“Estamos a trabalhar numa solução, não há qualquer vantagem em ir por outro caminho que não esse”, garantiu este sábado o ministro de Estado Nikos Pappas numa entrevista ao jornal grego Ethnos quando questionado sobre uma possível rutura da Grécia com os credores internacionais que levaria à saída do país do euro.
Antes, também falando para um canal de televisão grego, outro ministro grego, muito próximo de Alexis Tsipras, já tinha deixado claro que estavam a trabalhar em novas propostas. Falando à televisão MEGA, Alekos Flabouraris, ministro de Estado para a coordenação governamental, garantiu que o Governo não ia “levar as propostas antigas” à reunião, mas sim um novo plano. “Estamos a trabalhar para ver onde podemos convergir, para que possamos alcançar uma solução que seja mutuamente benéfica”, disse.
A ideia é trabalhar numa solução que implique a Grécia permanecer no euro – e todos acreditam que essa solução passa mais por reuniões políticas, como a de segunda-feira, do que por reuniões técnicas. Tanto Alekos Flabouraris como Nikos Pappas afirmaram aos media gregos que a Grécia via com bons olhos a convocação da cimeira extraordinária, para que o assunto fosse discutido ao mais alto nível pelos líderes dos países do euro, e não apenas em reuniões entre os ministros das Finanças. “A cimeira de emergência de segunda-feira mostra que chegou o tempo de encontrar uma solução política”, disse o ministro de Estado Nikos Pappas.
Mas há requisitos, e o ministro de Estado Nikos Pappas garante que a Grécia “não vai aceitar cortes nas pensões”. A reestruturação da dívida é ponto assente e Pappas adianta, na mesma entrevista, que o “plano de alívio da dívida inclui uma proposta que passa pelas obrigações detidas pelo BCE serem pagas pelo Mecanismo de Estabilidade Europeu”.
Ainda não é certo que tipo de compromisso ou de proposta os gregos vão levar na manga, mas os trabalhos de preparação da estratégia seguem a todo o vapor. Dois dias antes do dia D, Alexis Tsipras e o seu núcleo duro dentro do Governo reuniram-se para discutir o novo leque de propostas, e para amanhã de manhã já está agendado novo encontro na residência oficial do primeiro-ministro.
À saída da reunião deste sábado, o ministro da Economia, George Stathakis, limitou-se apenas a dizer aos jornalistas que “o objetivo é chegarmos a acordo”.