O líder do PCP acusou nesta terça-feira o Governo de mentir quando diz que salvaguardou os rendimentos dos mais desprotegidos, afirmando que o executivo foi desmentido pelos dados da Segurança Social sobre o subsídio de desemprego. “O Governo PSD/CDS, todos os dias aparece cinicamente a dizer que salvaguardou os rendimentos dos mais desprotegidos. Mas cada vez a boca lhes foge para a mentira, são imediatamente desmentidos pela realidade”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral comunista, que discursava em Évora, falava a propósito dos dados divulgados pela Segurança Social sobre o número de beneficiários de apoios em situação de desemprego, que voltou a cair em maio deste ano, para as 281.059 pessoas. De acordo com os dados, em maio de 2015, havia menos 10.542 pessoas a receber estes subsídios do que em abril (-3,6%). Desde janeiro, há menos 25.003 trabalhadores a beneficiar destas prestações do que havia no final de 2014, uma queda de 8,2%.

O número de beneficiários de subsídios de desemprego está em mínimos de janeiro de 2009, altura em que havia 278.850 trabalhadores a receber esta prestação social.

Considerando que os desempregados “em geral estão numa situação de dramática desproteção”, Jerónimo de Sousa perguntou: “O que é que este Governo fez, com a sua política e a política da ‘troika’? Melhorou a situação dos que estão nesta situação?”. “Não! Quem recebe subsídio, recebe cada vez menos, em média menos 56 euros, e há cada vez menos pessoas desempregadas a recebê-lo. Temos hoje mais de 50 por cento que não recebem subsídio”, referiu.

Numa sessão pública da CDU, no âmbito das eleições legislativas deste ano, que decorreu na sala de uma unidade hoteleira de Évora, o líder do PCP defendeu que a “grave situação do país” resulta das “políticas de direita do PS, PSD e CDS e dos seus governos”.

“Ficam todos muito crispados, o PS, o PSD e o CDS, quando falamos em responsabilidade comum, mas a verdade é para ser dita”, acentuou, defendendo que “o PS começou” e “o PSD/CDS continuou, executou e agravou” o que aprovaram em conjunto e que “agora todos querem, no essencial e em conjunto, continuar”.

Jerónimo de Sousa assinalou que, com o aproximar das eleições, PSD e CDS-PP estão a “iludir o seu profundo compromisso com as políticas de exploração e empobrecimento” e a “tentar transformar desavergonhadamente quatro anos trágicos do seu governo de coligação em anos de sucessos e conquistas”.

Já o PS, entre outras críticas, frisou que tem um “programa de falsa mudança”, uma vez que, tal como o Governo PSD/CDS-PP, quer “manter o confisco dos salários dos trabalhadores da administração pública no próximo ano, quer manter, no essencial, a brutal carga fiscal que incide sobre os rendimentos dos trabalhadores”.

“Quando o PS fica crispado com as nossas críticas, dizendo que não atacamos o Governo, é bom lembrar para a nossa memória futura que, durante estes quatro anos, quem esteve sozinho na luta com os trabalhadores e com o nosso povo foi o PCP e a CDU, porque o PS desapareceu e deixou de lutar, porque estava comprometido com a ‘troika'”, acrescentou. Na sessão pública, Carlos Pinto de Sá, presidente da Câmara de Évora, foi apresentado como mandatário distrital da CDU nas próximas legislativas.