O reitor do Santuário de Fátima disse hoje que os grupos organizados de visitantes ao templo são uma “presença particularmente relevante e importante, embora não exclusiva”, destacando, neste âmbito, os estrangeiros.

“Os grupos organizados em Fátima têm um relevo especial e penso, concretamente, nos grupos estrangeiros, isto é, a grande maioria dos peregrinos estrangeiros que vem a Fátima, vem em grupos organizados”, afirmou à agência Lusa o padre Carlos Cabecinhas.

Segundo o sacerdote, são grupos que “preparam a sua vinda, que estão em Fátima por alguns dias e aqui desenvolvem a sua ação de visita ao santuário de peregrinação”.

Para o reitor, já uma “parte muito significativa” dos peregrinos portugueses não vem em grupos organizados, adiantando, contudo, que a peregrinação é uma “realidade viva” e, por isso, transforma-se.

“Hoje temos grupos que vêm de áreas geográficas que antes não vinham e vemos diminuição noutras áreas geográficas que eram habituais”, declarou.

Dados do Santuário de Fátima relativos a 2014 dão conta de que foram 2.732 o número de grupos estrangeiros que se registou nos serviços do templo quando no ano anterior tinham sido 2.671, representando o ano passado 126.964 fiéis.

No caso dos grupos nacionais, passaram de 1.638 em 2013 para 1.571 o ano passado, embora signifiquem maior número de fiéis comparativamente aos estrangeiros, cerca de 561 mil em 2014.

Espanha é o país estrangeiro com maior número de grupos de peregrinos em Fátima, seguido de Itália, Polónia e Brasil.

O vice-presidente da Associação Empresarial Ourém/Fátima (ACISO) Alexandre Marto Pereira admite também uma mutação neste ‘ranking’.

“Houve uma crise fortíssima nestes mercados do sul da Europa”, nomeadamente em Itália e em Espanha”, e a “queda brutal da procura, principalmente do mercado italiano”, está a ser “contrabalançada por aqueles países que estão no ciclo económico inverso”, principalmente da Ásia e América do Sul, referiu o dirigente, destacando o Brasil, a Coreia do Sul ou as Filipinas, mas também os Estados Unidos.

Coreia do Sul é, segundo o santuário, o sétimo país estrangeiro com maior número de peregrinos em Fátima. Os Estados Unidos ocupam a quinta posição.

Para Alexandre Marto Pereira, “se se decalcar o mapa do número de turistas que estão a surgir destes países — asiáticos e da América – com os ciclos económicos vê-se que é claramente uma questão de capacidade económica”.

O hoteleiro adiantou que “o esmorecimento do catolicismo em parte do território europeu está a ser compensado por um crescimento extraordinário do catolicismo principalmente na Ásia e na América Latina”.

“É inteligente, não apenas os hoteleiros, mas os operadores e o próprio país darem a conhecer o destino Fátima, nestes novos territórios”, defendeu ainda, considerando que os grupos organizados “são uma parte extremamente relevante e mais de metade dos hóspedes que a hotelaria tem são grupos”.