Médicos belgas estão a conceder o direito de morrer a uma rapariga de 24 anos que sofre de uma depressão, considerando-o apta para morrer sob a lei belga da eutanásia.

Laura, de 24 anos, diz ter “pensamentos suicidas” durante toda a sua vida, mesmo durante a infância. Apesar de ser paciente de uma clínica psiquiátrica desde os 21 anos, Laura não tem conseguido sentir melhorias.

“Não vejo a morte como uma escolha. Se eu tivesse uma escolha, eu escolheria uma vida suportável. Já tentei de tudo, sem sucesso”, disse Laura em declarações ao jornal belga Demorgen, desabafando que já tentou suicidar-se noutras ocasiões.

Após requerer a sua morte, Laura recebeu o aval de profissionais da saúde para receber uma injeção letal. A data da morte de Laura ainda está por ser definida.

Uma lei para “acabar com a agonia”

A Bélgica legalizou a eutanásia em 2002, tornando-se o segundo país do mundo a permiti-lo. A lei declara que os médicos belgas podem “ajudar os pacientes a terminarem as suas vidas”, caso o adulto expresse livremente a vontade de morrer por estar a sofrer de uma dor “incurável” e “insuportável”.

“[Para se estar apto para a eutanásia] o paciente deve ter um quadro clínico intratável e com um sofrimento físico ou psicológico constante e insuportável, que não pode ser aliviada, e que é o resultado de uma doença grave e incurável decorrente de acidente ou doença”, lê-se na lei aprovada em 2002.

As mais recentes estatísticas mostram que o número de casos de eutanásia tem crescido a um ritmo acelerado. Em 2013, registaram-se 1.807 mortes via eutanásia, contrastando com os 1.432 casos em 2012. Mais de metade dos casos de 2014 foram pacientes acima dos 70 anos, mas cada vez mais jovens têm requerido morte assistida, reclamando sofrerem de uma depressão “insuportável” e “incurável”.

E a idade é cada vez menos um obstáculo legal: em fevereiro de 2015, o Parlamento belga aprovou uma lei que permite eutanásia sem limite de idade a crianças em fase terminal de uma doença. Na Holanda, o primeiro país a permitir a eutanásia, crianças doentes são permitidas de pedir uma morte assistida, caso tenham mais de 11 anos.

Texto editado por Helena Pereira.