No dia em que se inicia a época mais crítica em incêndios florestais, António Costa, em visita à Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), em Carnaxide, não quis acender outros fogos. Desafiado a responder sobre a falta de helicópteros da Proteção Civil, o secretário-geral do PS preferiu não entrar em polémicas, mesmo reconhecendo as históricas “dificuldades” ao “nível da gestão de meios”. Em relação à mais recente entrevista de José Sócrates e aos desenvolvimentos na Grécia, de Costa nem uma palavra.

“Vim aqui exclusivamente para falar sobre a nossa proteção civil, sobre a prevenção dos incêndios florestais e transmitir uma mensagem de grande alento e confiança em todo o dispositivo da proteção civil”, respondeu o líder socialista perante a insistência dos jornalistas.

Em Carnaxide, António Costa e a comitiva socialista que o acompanhava – os deputados Jorge Lacão, Isabel Oneto, Filipe Neto Brandão, entre outros – encontrou-se com o secretário de Estado da Administração Interna, João Almeida, e com os principais responsáveis da Proteção Civil para perceber em que ponto estão os preparativos para mais uma época de incêndios. Isto numa altura em que é conhecida a falta de meios ao serviço da Proteção Civil: é que dos dez helicópteros comprados em 2006, ano em que António Costa era ainda ministro da Administração Interna, apenas três estão aptos para voar.

No centro da controvérsia estão os helicópteros pesados Kamov. Dos seis comprados em 2006, um continua por reparar desde 2012, depois de se ter despenhado quando combatia um incêndio em Ourém, e quatro estão em terra depois de lhes terem sido detetadas avarias graves. Tudo subtraído, apenas um continua operacional.

A 18 de junho, confrontado com estes dados, António Costa recusou-se a assumir qualquer responsabilidade pelo estado atual das aeronaves, garantido que tudo foi verificado na altura em que era o responsável pela pasta da Administração Interna. No final, ainda acrescentou: “É a triste sina que eu tenho que é herdar coisas por reparar”. Esta quarta-feira, no entanto, o secretário-geral do PS foi mais contido nas palavras e disse apenas que conhecia “bem, as dificuldades que o sistema de proteção civil sempre tem ao nível da gestão de meios”.

“Conheço bem, as dificuldades que o sistema de proteção civil sempre tem ao nível da gestão de meios. Quando o verão corre muito bem, diz-se que os meios foram em excesso; mas quando o verão não corre bem, diz-se que os meios são insuficientes”, afirmou Costa.

Comandante da Operação Civil confiante no regresso dos Kamov

No final da conferência de imprensa de António Costa, o comandante operacional nacional da Proteção Civil, José Manuel Moura, reconheceu a existência de um “constrangimento com quatro aeronaves”, mas mostrou-se otimista em relação à hipótese dos Kamov em falta virem a entrar “progressivamente” no dispositivo de combates ao incêndio.

Mesmo preferindo não se comprometer com nenhuma data, José Manuel Moura revelou que nos “próximos dias, talvez até durante o fim de semana”, um dos helicópteros poderá voltar a voar e, quinze dias depois, um segundo Kamov deverá juntar-se ao combate aos incêndios.

Em declarações ao Observador e à TVI, o comandante admitiu, ainda assim, que esta não é a situação “ideal”, garantindo apenas que a Proteção Civil vai enfrentar esta época de incêndios com a mesma “tenacidade” e “empenho” de sempre.

“O planeamento foi aprovado com 49, [mas] tivemos também esta infelicidade com esta aeronave caiu e tivemos de pensar este plano B e plano C. [Agora] temos de ajustar rapidamente o dispositivo e não podemos deixar de abordar [a missão] com a mesma tenacidade e com o mesmo empenho” de sempre, afirmou José Manuel Moura.