O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, defendeu a necessidade de retomar o investimento público para dar “sustentabilidade” ao setor da construção civil, assumindo-se preocupado com a situação na construtora Soares da Costa.

“Temos que ver também em Portugal se começamos a ter algum investimento público que de alguma maneira dê sustentabilidade a essas empresas”, afirmou o autarca, em Luanda, questionado pela Lusa sobre a situação da Soares da Costa, em que trabalhadores com salários em atraso foram à Câmara do Porto, na segunda-feira, pedir a “intervenção política” de Rui Moreira, na defesa dos operários.

“Espero que a situação se normalize. A Soares da Costa é uma grande empresa portuguesa, com uma enorme tradição, quer em Portugal quer fora, nomeadamente aqui em Angola, e espero que a situação dos trabalhadores não seja esquecida. Com certeza que quando chegar ao Porto irei tratar do que se passou”, explicou Rui Moreira, que chegou a Luanda ao final da tarde de segunda-feira.

O autarca português falava na capital angolana à margem da participação no Luanda Investment Forum, evento que visa captar investimentos para os vários municípios daquela metrópole de 6,5 milhões de habitantes, nomeadamente do norte de Portugal, tendo assumido a “preocupação” com a situação da Soares da Costa, com sede no Porto há quase um século.

Os funcionários daquela construtora decidiram apelar ao presidente Rui Moreira para que junte a sua voz às das centenas de trabalhadores “neste terrível sofrimento” — salários em atraso, que afetam também, dizem, operários em serviço em Angola – e pedem para que o autarca “mova a sua intervenção política em defesa dos trabalhadores e na responsabilidade social que impende sobre a empresa”, lê-se na resolução entregue na Câmara do Porto.

Em Luanda, Rui Moreira assumiu que algumas destas empresas de construção e obras públicas encontraram neste país africano de língua portuguesa uma “escapatória” para as dificuldades económicas em Portugal, mas que agora enfrentam as consequências da crise em Angola, devido à quebra da cotação internacional do petróleo e do corte no investimento.

“A situação das empresas no setor das obras públicas preocupa-me muito”, disse, reservando uma posição sobre a situação da Soares da Costa para depois de contactar os trabalhadores daquela empresa de construção, no regresso ao Porto.