Seis meses, mais de mil milhões de euros. No primeiro semestre de 2015, o investimento em imobiliário português ultrapassou a barreira do milhar de milhão de euros, de acordo com os dados divulgados esta segunda-feira pela consultora Worx – Real Estate Consultants. O ano em que mais se investiu em imóveis foi 2006: 1,2 mil milhões de euros. E os especialistas acreditam que até ao final de 2015, o investimento vai aproximar-se de 2 mil milhões.

O dinheiro veio essencialmente de fora – 95% das operações realizadas nos primeiros seis meses do ano realizaram-se com investidores estrangeiros, sobretudo do mercado norte-americano, que deteve uma quota de 64% do total. A empresa líder das operações foi o banco de investimento norte-americano Blackstone, que comprou o Almada Forum, o Forum Montijo, a Plataforma Logística Azambuja 6 e a Plataforma Logística Palmela 6. Só o Blackstone adquiriu mais de 400 milhões de euros em ativos imobiliários.

“O recente sobreaquecimento e elevado dinamismo do investimento imobiliário espanhol acabou por contribuir para uma redireção dos investidores internacionais para a Península Ibérica, estando Portugal a beneficiar deste efeito”, disse Pedro Rutkowski, presidente da Worx.

De acordo com a consultora, o volume de investimento está “fortemente associado” à diminuição no risco e à maior confiança que se sente na economia social. Entre 2009 e 2013, o investimento imobiliário foi dominado por empresas nacionais.

O setor do Retalho foi o mais procurado e ocupou 71% do volume de investimento realizado. Seguiram-se os escritórios, com uma fatia de 21% do total. Entre as 10 principais transações do semestre, apenas quatro visaram escritórios, que foram comprados pelo banco BIC, pela Anchorage Capital e pelo Fundo de Pensões Banco Portugal.

“Esta tendência encontra-se igualmente assente nos sinais de recuperação económica portuguesa e na elevada liquidez existente no mercado. Neste momento a procura ultrapassa largamente a oferta qualificada disponível, tendo-se assistido cada vez mais a operações realizadas num tempo recorde”, referiu o líder da Worx.

Segundo a consultora, a elevada procura do último ano levou a um esmagamento das prime yields (taxas de retorno máximo do investimento), que atingiram valores mínimos em quase todos os setores – o retalho fixou-se nos 5% e os escritórios no 6%. A exceção ocorreu no setor industrial. Estão em queda desde 2012, ano em que atingiram máximos.

“A crise económica levou a uma forte compressão dos valores de arrendamento que se traduz agora num incentivo extra para os investidores, com perspetivas de ganho de capital e crescimento no retorno do investimento. Os recentes sinais de estabilização da situação grega permitem, de igual forma, prever que a evolução ao longo deste ano se mantenha bastante positiva”, disse Pedro Rutkowski.