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E se caísse em Lisboa uma bomba atómica com o mesmo efeito daquela lançada em Hiroshima?

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Um investigador norte-americano criou um simulador para estimar os efeitos da queda de uma bomba atómica da mesma potência que o artefacto lançado na II Guerra Mundial. Os resultados surpreendem.

Autor
  • Milton Cappelletti

66 mil mortos, 69 mil feridos e dezenas de milhares de pessoas afetadas pelos efeitos da radiação. Este foi o resultado do impacto da bomba atómica sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, durante a II Guerra Mundial. Ao “Little Boy”, nome com que os Estados Unidos batizaram o artefacto, seguiu-se três dias depois a “Fat Man”, bomba nuclear lançada sobre a cidade de Nagasaki, e se tornou um dos principais fatores que levaram à rendição do Japão no conflito.

Hiroshima assinala esta quinta-feira o 70º aniversário do lançamento da bomba atómica, data na qual ainda se levantam questões sobre a capacidade científica e bélica dos países em organizar o extermínio sistemático de uma cidade ou população num piscar de olhos. No entanto, será que as novas gerações estão cientes dos perigos de uma guerra nuclear?

Foi desta maneira que Alex Wellerstein, historiador do Stevens Institute of Technology nos Estados Unidos, criou o NukeMap, um mapa que permite visualizar o alcance dos estragos que causariam as bombas de Hiroshima e Nagazaki em qualquer cidade do mundo na atualidade. O mapa faz ainda uma estimativa com o número de mortos e feridos e com a população que seria afetada pela radiação num período de 24 horas.

Vivemos num mundo onde as armas nucleares estão na primeira página dos nossos jornais numa base regular, mas a maioria das pessoas ainda não têm consciência dos efeitos de uma explosão nuclear. Algumas pessoas pensam que elas destroem tudo no mundo de uma só vez e que não são muito diferentes de bombas convencionais. Espero que venham a entender o que elas fariam em lugares familiares e como os diferentes tamanhos de armas nucleares podem alterar os resultados”, afirma Wellerstein na página do projeto.

Vejamos o exemplo de Lisboa, caso uma bomba nuclear atingisse o Marquês de Pombal, região no centro da cidade.

lisboa

De acordo com a estimativa do Nukemap, o lançamento da bomba causaria a morte direta de 23.220 pessoas e deixaria 67.690 feridos. Ao final de um dia, 203.261 pessoas sofreriam os efeitos da radiação do artefacto.

Para entender a imagem, o anel amarelo corresponde ao tamanho máximo da explosão nuclear, que pode variar de acordo com a altura da detonação. O círculo vermelho equivale ao raio de explosão de ar, em que a pressão da bomba é tão intensa que pode danificar seriamente ou até demolir edifícios, com uma taxa de morte de 100% da população afetada. A área azul corresponde a um nível menor de radiação, mas ainda suficiente para derrubar pequenos edifícios e exterminar a população. A zona verde diz respeito à zona total de radiação direta, com risco de vida de 50 a 90%, caso não se receba o tratamento médico imediato. Por fim, a população que estiver dentro do anel laranja sofrerá queimaduras de terceiro grau, que podem resultar em diferentes complicações.

Wellerstein salienta, no entanto, que as pessoas que estiverem fora da zona de alcance indicada pelo mapa também poderiam ser afetadas pela dispersão dos resquícios radioativos pelo ar ou pela contaminação da água, por exemplo. Enjoos, tonturas, vómitos e envenenamento poderiam causar a morte de outras dezenas de pessoas, sem que elas soubessem exatamente o que está a acontecer.

E se tomássemos como exemplo a cidade do Porto? Segundo a página, o lançamento da mesma bomba nuclear que atingiu Hiroshima na Avenida dos Aliados causaria a morte direta de 21.040 pessoas, deixaria 51.830 feridos e poderia afetar um total de 165,862 em 24 horas.

porto

Seguem abaixo outros exemplos em cidades ao redor do mundo:

– Portas do Sol, Madrid – Espanha
Número de mortos: 61.790
Número de feridos: 148.140
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 492.951

madrid

– Sagrada Família, Barcelona – Espanha
Número de mortos: 73,940
Número de feridos: 178,930
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 555,015

barcelona

– Portas de Brandemburgo, Berlim – Alemanha
Número de mortos: 23.230
Número de feridos: 64.490
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 206,566

berlim

– Torre Eiffel, Paris – França
Número de mortos: 92.520
Número de feridos: 214.430
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 695,334

paris

– Praça Tiananmen, Pequim – China
Número de mortos: 51.750
Número de feridos: 143.360
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 466.231

pequim

– Corcovado, Rio de Janeiro – Brasil
Número de mortos: 18.750
Número de feridos: 57.760
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 188.290

rio_janeiro

– Avenida 4 de fevereiro, Luanda – Angola
Número de mortos: 79.960
Número de feridos: 152.590
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 520.308

luanda

– Ópera de Sydney, Sidney – Austrália
Número de mortos: 7.400
Número de feridos: 31.630
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 106.492

sidney

– Times Square, Nova Iorque – Estados Unidos
Número de mortos: 319.540
Número de feridos: 354.180
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 1.163.813

ny

– Coliseu de Roma, Roma – Itália
Número de mortos: 43.880
Número de feridos: 137.720
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 401.713

roma

– Big Ben, Londres – Inglaterra
Número de mortos: 7.400
Número de feridos: 31.630
Número de pessoas afetadas direta ou indiretamente no período de 24 horas: 106.492

londres

De acordo com um levantamento do diário Business Insider, foram realizados 2.051 testes com armas nucleares desde o lançamento da bomba em Hiroshima, a maioria no abrigo do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

Em julho, o Irão e seis potências mundiais (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, mais a Alemanha) chegaram a um acordo sobre o programa nuclear iraniano, que vai travar as aspirações nucleres do país em troco do levantamento das sanções impostas a Teerão.

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