“Não será de esperar de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém novas ideias para o futuro de Portugal”, declarou ontem Henrique Neto numa nota enviada ao jornal Expresso. Mais: ambos “representam a ideia da manutenção do cordão umbilical entre o Presidente da República e um dos partidos do chamado “arco do poder” e, assim, ambos os lados da equação partidária tentam garantir que não surgem “intrusos” no castelo do poder que possam colocar em causa os interesses adquiridos que conduziram Portugal para o empobrecimento e para a dependência externa.”

Para o também candidato presidencial, isso acontece porque nem de Maria de Belém, nem de Sampaio da Nóvoa, “será de esperar deles nenhuma autonomia em relação ao partido, nem novas ideias em relação ao futuro de Portugal”. A prova disso, na sua opinião, é que, ao contrário do que ele próprio fez, não apresentaram ideias novas quando isso teria sido importante “para evitar o desastre”. Henrique Neto, recorde-se, foi dos poucos militantes do PS que criticou a governação de José Sócrates e previu a crise declarada em 2011, com o país a ter necessidade de pedir auxílio externo.

De resto, Henrique Neto, que já ontem fizera fortes críticas a Maria de Belém, considerou que a confirmação da sua candidatura às presidenciais “não surpreende ninguém”. A sua leitura é que ela representa um dos grupos do Partido Socialista que está na expectativa do resultado das eleições legislativas.

Como adianta no mesmo texto, se António Costa vencer as legislativas de forma clara,” o candidato do PS será, naturalmente, Sampaio da Nóvoa”. Mas se isso não acontecer, então “o grupo de António José Seguro avança para o confronto e Maria de Belém terá então a sua melhor oportunidade”. De qualquer deles, acrescenta ainda a nota enviada ao Expresso, “não será de espera nenhuma autonomia em relação ao partido”.

Na corrida à Presidência da República, defende ainda, nem Sampaio da Nóvoa, nem Maria de Belém “serão candidatos relevantes” sem o apoio do PS – um apoio que Henrique Neto, apesar de ser militante do partido e de ter sido seu deputado, já percebeu que não vai ter.