Quase dois terços (63%) dos profissionais de saúde não fizeram nenhuma notificação de erro ou evento adverso nos 12 meses antes de responderem ao inquérito promovido pelo Departamento de Qualidade da Direcção-Geral da Saúde em parceira com a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar. Dos restantes, 22% fez uma ou duas notificações no período de um ano.

O relatório agora divulgado conclui que “a cultura de segurança do doente ainda não é amplamente assumida como uma prioridade pelos profissionais de saúde e pelas instituições” e que “a cultura de notificação e aprendizagem nos hospitais é fraca”. Mas os profissionais de saúde inquiridos consideram que, em termos gerais, o nível da segurança do doente é bom – 50% considerou ser “excelente” ou “muito bom” e 41% considerou ser “aceitável”.

Portugal apresenta, regra geral, piores resultados que Reino Unido e Estados Unidos, em particular na ‘Frequência de notificação dos eventos’. Mas apresenta também piores resultados que os de um estudo equivalente realizado no país em 2011. O presente estudo conclui que “as ações de melhoria são prioritárias nas dimensões ‘Resposta ao erro não punitiva’, ‘Dotação de profissionais’ e ‘Frequência da notificação'” e acrescenta ainda que é preciso apostar também no ‘Trabalho entre unidades’ e no ‘Apoio à Segurança do doente pela gestão’.

Tabela com os resultados internacionais, em percentagem de respostas positivas - Relatório Segurança dos Doentes/DGS

Tabela com os resultados internacionais, em percentagem de respostas positivas – Relatório Segurança dos Doentes/DGS

Segundo um relatório elaborado pela RAND Corporation, em 2008, e citado agora por este estudo, “oito a 12% dos doentes internados em hospitais são afetados  por eventos adversos resultantes dos cuidados de saúde recebidos e não da sua doença”. Neste estudo estão incluídos apenas os erros ou eventos que podem causar danos aos doentes, como troca de medicação, mas não aqueles que podem ter consequências graves, deixar sequelas ou causar a morte – estes são de notificação obrigatória e posterior investigação -, refere o Público.

Da comparação das respostas globais a nível nacional com cada uma das regiões de saúde destacam-se Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARSAlentejo) e do Algarve (ARSAlgarve). Em geral a ARSAlentejo apresenta piores resultados do que as percentagens globais em Portugal continental, mas destaca-se o ‘apoio à segurança do doente pela gestão’: 35% na região contra 49%em Portugal continental. Já a ARSAlgarve destaca-se por ter resultados melhores do que Portugal continental no ‘Trabalho entre unidades’ – 61% na região contra 48% no país.

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O questionário foi disponibilizado online entre 1 de abril e 31 de agosto de 2014 a 55 unidades hospitalares pertencentes às várias regiões administrativas de Portugal continental. Neste período foram entregues 17.928 inquéritos preenchidos que corresponde a uma taxa de adesão de 18,3% – embora 11% das 55 instituições tenham apresentado uma taxa de adesão superior a 50%. O estudo destaca que “a adesão dos hospitais privados foi pouco expressiva” e conclui que “apenas 17 dos 55 hospitais tiveram taxas de adesão que permitem apresentar recomendações robustas”.

A segurança dos doentes é considerado a nível mundial um grave problema da saúde pública e é uma prioridade da Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde 2015-2020. A avaliação da cultura de segurança foi recomendada por organizações internacionais, como a Organização Mundial de Saúde e a União Europeia, com o objetivo de se introduzirem mudanças no comportamento dos profissionais de saúde nesta área.

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