O ex-primeiro-ministro, José Sócrates, vai mesmo sair de casa no próximo dia 4 de outubro para exercer o direito de voto. Segundo o i, o principal arguido da Operação Marquês irá depositar o boletim de voto nas mesas da Rua Camilo Castelo Branco, no Marquês de Pombal.

E porquê no Marquês? O mesmo jornal apurou que embora Sócrates tenha mudado de residência, a morada não foi atualizada a tempo nos cadernos eleitorais, pelo que terá de votar na mesa habitual. Para isso terá de ser escoltado pela polícia, sendo que nos 100 metros que rodeiam o local de voto não podem haver armas.

Ao i, o advogado de defesa Pedro Delille explicou que “se até à data das eleições o engenheiro José Sócrates se mantiver nesta situação precária e excecional, a única coisa que tem de fazer é informar o juiz das horas em que exercerá o seu direito de voto e do tempo que isso lhe tomará”.

A defesa de Sócrates informou, ontem, em comunicado, que o principal arguido da operação Marquês iria mesmo votar nas próximas eleições, frisando que o voto é um “direito garantido pelas leis e pela Constituição”. E à semelhança do que João Araújo já tinha reafirmado horas antes ao Observador, os advogados reiteraram que Sócrates “não pedirá autorização alguma, limitando-se, se ainda for caso disso, a transmitir as informações pertinentes”.

Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE), o ex-governante não precisa de autorização para exercer o direito de voto, mas precisa de notificar o juiz de instrução criminal para que este decida a forma como o arguido, em prisão domiciliária, o poderá fazer. O i explica que o acompanhamento pode ser feito pelos agentes que o vigiam em casa ou poderá ser escoltado num carro blindado e descaracterizado do Corpo de Segurança Pessoal.

Também ontem se ficou a saber que o banqueiro Ricardo Salgado e Armando Vara, ambos em prisão domiciliária, poderão ir votar no dia 4 de outubro escoltados pela polícia.