Há quem faça uma tatuagem e se arrependa. E há quem goste tanto dela que a queira preservar como obra de arte para a posteridade. Sim, para sempre. Mesmo depois do tempo de vida do portador ou portadora. Para todos os que desejam essa utilização, há um novo procedimento que permite preservar estas obras de arte após a morte de quem a exibe. Para alguns fãs de tatuagens, preservar esta forma de arte depois da morte é um desígnio.

Peter van der Helm, um tatuador  holandês, criou a Foundation for the Art and Science of Tattooing (Fundação para a Ciência e Arte da Tatuagem) que preserva tatuagens de doadores mortos.  “Reconhecemos o valor de preservar a pele tatuada como arte, para a história e  também para  cumprir os últimos desejos dos doadores,” pode ler-se no site. E Charles Hamm, fundou a NAPSA, National Association for the Preservation of Skin Art  também com o mesmo objetivo.

Charles Hamm é um entusiasta deste tipo de arte no corpo, na qual já investiu cerca de 45  mil dólares (um pouco mais de 40 mil euros).  Hamm considera as suas  tatuagens “belas peças de arte”, mas percebeu que “ao ser cremado é como se nunca as tivesse feito,” refere o Quartz.

https://www.youtube.com/watch?v=R-9JUkigRT0

Tanto Peter van der Helm como Charles Hamm querem preservar as tatuagens dos mortos e garantir-lhes  a imortalidade. O processo envolve um patologista que retira a tatuagem, que é congelada ou preservada em formol, idealmente num prazo de 48 horas após o óbito. Depois, o excerto é submetido a um procedimento de 12 semanas que extrai a água da pele e a substitui por silicone. Só depois o enxerto de pele “desidratada” e tatuada está pronto a ser emoldurado.

tatuagem preservada KPMG

Exemplo de uma tatuagem preservada por Charles Hamm, fundador da NAPSA, e anteriormente sócio fundador da consultora KPMG. Artista: Chuck Galati

Os associados da NAPSA pagam uma taxa de inscrição 115 dólares (cerca de 100 euros) e 60 dólares (cerca de 53 euros) por ano pelo direito a preservar uma tatuagem (aproximadamente do tamanho do peito)  depois da sua morte.

tatuagem preservada biker

Tatuagem preservada por Mark G., um dos primeiros membros da NAPSA, que fez alguns dias antes de morrer. Artista: Bryan Krause

Até ao momento, a associação já  preservou 21 tatuagens, 14 de pessoas que morreram e as restantes 7 com origem em pele em enxertos de pele removida durante cirurgia dos portadores.