O homem que esta manhã barricou-se na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Lagos, no Algarve, foi detido pela PSP por volta das 18h00. Os três reféns já foram libertados e estão em segurança. Segundo avançam as televisões, a PSP entrou armada dentro do edifício, pondo fim a sete horas de sequestro. O homem de 46 anos estava armado com uma caçadeira.

Quando a PSP chegou ao local, esta segunda-feira de manhã, o homem disparou e um polícia foi ferido na cabeça, ainda que ligeiramente. O Diário de Notícias conseguiu ligar para a CPCJ e falou ao telefone com uma das funcionárias. Pediu para falar com o sequestrador, mas este recusou-se, alegando que só falava com a televisão. Ainda atirou: “Isto está muito mau”.

Entretanto, a CMTV conseguiu mesmo falar com o sequestrador, que dá pelo nome de António. Ao telefone, contou que não via os filhos [um rapaz e uma rapariga de 14 e 15 anos, respetivamente, segundo diz] há mais de um ano e exigiu falar com eles — só assim dizia libertar os reféns. António terá emigrado para França e, durante o período em que esteve ausente de Portugal, a filha adolescente acusou o tio (irmão do barricado) de abusos sexuais.

António regressou a casa para fazer queixa, mas o irmão terá levado os menores juntamente com a mulher. Acredita que estão agora na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). “Estou à espera há horas que a PSP me ponha em contato com os meus filhos. Dizem que também não sabem onde os miúdos estão. Quando me deixarem falar com os miúdos, toda a gente vai para casa”, garantiu.

Um forte aparato policial foi montado junto ao edifício localizado no Bairro 25 de Abril, onde esta comissão está sediada, perto da Escola Júlio Dantas. Entre os policiais estavam também negociadores que tentavam demover o homem e levá-lo a entregar-se.

O sequestrador agora detido barricou-se na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Lagos às 09h15, segundo a Lusa, porque lhe foram retirados os dois filhos, com os quais exigiu entrar em contacto. As crianças estão, neste momento, numa instituição em Lisboa e, segundo o Diário de Notícias, o processo pode estar já com o Tribunal de Família e Menores local.

Maria do Céu Dilva, relações públicas do comando da PSP de Faro disse à TVI24 que está a fazer “as diligências necessárias” para conseguir retirar os reféns e salvaguardar os cidadãos. Está delimitado um perímetro de segurança.

O Comandante Distrital de Faro já se pronunciou, dizendo que a polícia decidiu não avançar com as forças especiais mais cedo – o sequestro durou oito horas – porque as intervenções só deveriam acontecer quando “a vida dos reféns estivesse por um fio”. Como isso não aconteceu, a polícia “agiu em conformidade com os procedimentos” e conseguiu negociar a rendição com o sequestrador.