Lisboa, 12 out (Lusa) — O deputado do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, questionou formalmente o ministro dos Negócios Estrangeiros português sobre o caso dos 15 ativistas angolanos detidos em Luanda, entre os quais Luaty Beirão, em greve de fome. De acordo com o documento enviado hoje ao ministro Rui Machete, o Bloco de Esquerda (BE) quer saber se o Governo português vai dar instruções à embaixada de Portugal em Luanda para visitar Luaty Beirão e dar-lhe “todo o apoio” jurídico e institucional requerido pela situação atual”, colocando também a questão sobre a possibilidade de uma ação jurídica.

“Considera o Governo de Portugal a possibilidade de apresentar uma queixa junto do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e de todas as demais instâncias internacionais competentes devido à violação de direitos humanos essenciais por parte do Estado Angolano neste caso concreto afetando um cidadão português?”, questiona também o deputado do BE. No texto do documento enviado a Rui Machete, o BE refere que Luaty Beirão é membro do grupo de ativistas presos há três meses pelo regime angolano, que entrou hoje no 22.º dia de greve de fome e “que se encontra em estado de saúde grave”.

“Através da pressão da União Europeia, o embaixador de Portugal em Luanda visitará hoje o ministro da Justiça de Angola, mas não se conhece qualquer iniciativa do Governo de Portugal para visitar e acompanhar Luaty Beirão e os ativistas presos em clara violação da liberdade de expressão”, acrescenta o Bloco de Esquerda, sublinhando que o ativista em greve de fome é cidadão português.

O deputado do BE, Pedro Filipe Soares, considera incompreensível “o silêncio e inação das autoridades portuguesas – perante uma situação onde tem obrigação de intervir. “Em declarações hoje à comunicação social, o ministro Rui Machete limitou-se a considerar o assunto uma ‘questão interna do Estado Angolano’. Nestas circunstâncias, o Bloco de Esquerda considera esta posição totalmente inaceitável e subserviente a um Estado repressivo e antidemocrático”, lê-se ainda no texto com as perguntas enviadas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O luso-angolano Luaty Beirão, de 33 anos, faz parte de um grupo de 17 jovens – dois dos quais estão em liberdade provisória – acusados formalmente desde 16 de setembro passado de prepararem uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, mas sem que haja uma decisão do tribunal de Luanda sobre a prorrogação da prisão preventiva.