Legislativas 2015

Quem é quem nas negociações entre os partidos?

O PS tem andado de reunião em reunião com todos os partidos. Quem são os homens que estão dos dois lados das mesas de negociação? É deles que depende o futuro governo do país?

LUSA

Os socialistas já fizeram seis reuniões políticas: duas com a coligação PSD/CDS e uma com os restantes partidos com assento parlamentar, BE, PCP, PEV e PAN. O governo que sair destas negociações pode não ser liderado pelo PS, mas dependerá do trabalho que os homens que se sentam dos dois lados da mesa fizerem… ou não fizerem. Quem são? Porque foram escolhidos? O Observador foi ver com uma lupa as equipas negociais de cada partido, além dos líderes: Passos Coelho, Paulo Portas, António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa.

Os quatro negociantes do PS

António Costa fez-se acompanhar de quatro socialistas em todas as reuniões que tem mantido. Nunca mexeu na equipa. São eles Carlos César, Mário Centeno, Ana Catarina Mendes e Pedro Nuno Santos.

Lisboa, 09/10/2015 - Encontro entre Presidente do PSD, Presidente do CDS/PP e o Secretário Geral do Partido Socialista para discutirem um entendimento entre os partidos após as eleições legislativas, na Sede do PSD em Lisboa. António Costa ( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

Carlos César

Foi Presidente do Governo Regional dos Açores durante 16 anos. Próximo de António Costa, foi o homem que esteve sempre ao lado do agora líder socialista quando era oposição interna, mais ou menos declarada. A amizade entre os dois culminou numa nomeação natural: em 2014, quando Costa foi eleito secretário-geral do partido, César foi convidado para presidente do PS, cargo que exerce atualmente. César é ainda apontado como possível ministro (se houver governo de esquerda) ou para Presidente da Assembleia da República, cumprindo a tradição de açorianos no cargo.

Mário Centeno

Foi o homem que António Costa chamou para liderar o grupo de economistas e a quem foi dada a tarefa mais importante: a de preparar as bases que consolidaram o programa eleitoral do partido. Economista, quadro do Banco de Portugal, é especialista em mercado do trabalho. Tem sido sempre chamado por António Costa para o centro das negociações políticas. É também ele que coordena as equipas técnicas de trabalho com o PCP e o BE. Centeno era visto como possível ministro caso o PS vencesse as eleições, ideia que volta a estar em cima da mesa com a possibilidade de um governo de esquerda.

Ana Catarina Mendes

A deputada socialista foi uma das mais próximas de António Costa. Presidente da Federação de Setúbal, encabeçou as listas desse distrito dando a maior vitória ao partido nas eleições legislativas de 4 de outubro. Ana Catarina Mendes é deputada há várias legislaturas, mas foi com António Costa que ganhou mais espaço na bancada parlamentar do PS e no núcleo duro do secretário-geral. Ana Catarina não faz parte da direção do partido por ser líder de uma federação, mas nem por isso ficou afastada das decisões, antes pelo contrário. Costa chamou-a para a equipa política de negociações e está também na equipa que negoceia com os Verdes e com o PAN.

Pedro Nuno Santos

O deputado socialista foi um dos mais ativos na crítica à anterior direção socialista, mas apesar de ter estado sempre na organização da candidatura de António Costa (em conjunto com os restantes “jovens turcos”), não era muito próximo do líder – a relação era mais pragmática do que de proximidade. Mas o secretário-geral do PS foi chamando o jovem deputado para o centro da decisões, tal como fez com Ana Catarina Mendes. Da ala esquerda do PS, Pedro Nuno foi líder da JS e é líder da federação de Aveiro. É o mais jovem sentado à mesa e é apontado por muitos como futuro candidato à liderança do partido.

Os negociadores da PàF (PSD/CDS)

PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA, PARTIDO SOCIALISTA, CDS/PP, PEDRO PASSOS COELHO, ANTONIO COSTA, PAULO PORTAS,

Marco António Costa 

É vice-presidente do PSD e um dos homens mais próximos de Passos Coelho. Foi secretário de Estado da Segurança Social no Governo PSD/CDS, de onde saiu para assumir o cargo no PSD e substituir assim Passos Coelho no trabalho no interior do partido e nas relações institucionais. Marco António é nome forte no aparelho social-democrata e são-lhe reconhecidas ambições futuras.

Jorge Moreira da Silva

No partido, Moreira da Silva trocou de funções com Marco António Costa. Aquando da remodelação de 2013, Passos Coelho levou Jorge Moreira da Silva para ministro da pasta do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, retirando-o do cargo de coordenador do partido, mas mantendo-o primeiro vice-presidente . Antes de chegar à direção do partido, já tinha passado por vários cargos. Foi presidente da JSD e secretário de Estado nos anteriores governos PSD/CDS. Foi ainda durante anos conselheiro do Presidente da República e, antes de ser chamado para ministro, estava nas Nações Unidas, depois de trabalhar também para o Banco Europeu de Investimento e na Comissão Europeia, sempre na área da energia e ambiente. Foi também Moreira da Silva quem liderou a equipa do PSD em 2013, no Compromisso de Salvação Nacional, a pedido do Presidente da República durante a crise daquele ano.

Assunção Cristas

A atual ministra da Agricultura chegou à política há menos de dez anos. Foi deputada durante a legislatura em que José Sócrates era primeiro-ministro e desde então esteve sempre no núcleo duro de Paulo Portas. Faz parte da direção do partido e é apontada por muitos como possível sucessora de Portas na liderança do partido. Antes da grande remodelação do Governo em 2013, era ministra de uma pasta com muitas pastas lá dentro: tinha o Ambiente, Agricultura, Mar e Ordenamento do Território. A pasta foi partida em dois, com Moreira da Silva a assumir parte e Cristas a ficar com a Agricultura e o Mar.

Pedro Mota Soares

Mota Soares começou a carreira política como líder da Juventude Popular (1996 a 1999). Desde então já foi secretário-geral do partido, deputado, líder parlamentar e atualmente é vice-presidente do CDS. No Governo de Passos Coelho e Paulo Portas, Mota Soares foi chamado para assumir a pasta da Solidariedade e Segurança Social. Com a remodelação, o ministério ganhou peso e passou a incluir o Emprego. Mota Soares é próximo de Paulo Portas e tem estado sempre no núcleo mais restrito de confiança do líder. É também um possível sucessor à liderança do CDS.

A mesa do Bloco de Esquerda

A acompanhar Catarina Martins nas negociações com o PS estiveram Pedro Soares, Pedro Filipe Soares, Mariana Mortágua e José Gusmão.

Lisboa, 12/10/2015 - Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), recebeu, esta manhã, António Costa, secretário geral do Partido Socialista (PS), na sede nacional do BE, em Lisboa. Mariana Mortágua, Catarina Martins e Pedro Filipe Soares Pedro Nuno Santo, Carlos César, António Costa e Mário Centeno (Orlando Almeida / Global Imagens)

José Gusmão 

O bloquista vai continuar fora do Parlamento, apesar de manter o peso político. Entrou no BE pela porta da Política XXI, a plataforma política de Miguel Portas, depois de ter sido militante do PCP. Economista de formação, Gusmão faz parte do grupo de economistas que fundou o blogue “Ladrões de bicicletas”, em conjunto com o deputado do PS Pedro Nuno Santos, entre outros. Conhecem-se aliás da faculdade, do ISEG, em Lisboa. Fez parte da Comissão de Orçamento e Finanças.

Mariana Mortágua

De todos os partidos, Mariana Mortágua é a mais nova a sentar-se à mesa. A deputada bloquista ganhou notoriedade na Comissão de Inquérito ao BES, onde se destacou nas perguntas que fez a quem lá foi testemunhar. A deputada cresceu rapidamente no partido, ao ponto de ter sido escolhida para ser cabeça-de-lista pelo BE em Lisboa. Mariana entrou como independente no BE, mas próxima de Francisco Louçã, com quem escreveu dois livros: “A Dividadura”, de 2012, e “Isto é um Assalto”, de 2013.

Pedro Filipe Soares

É deputado e foi candidato à liderança do partido em 2014 por discordar, entre outras coisas, de uma aproximação do BE ao PS. Pedro Filipe Soares tem sido o líder parlamentar do Bloco na última legislatura e com isso ganhou espaço e palco no partido. Faz parte da direção restrita do partido, a Comissão Permanente, que passou a ser de seis pessoas, para acomodar a votação das diferentes sensibilidades do partido, resultante da última convenção. Faz parte da ala “Esquerda Alternativa”, herdeira da UDP.

Pedro Soares

O recém-eleito deputado já o tinha sido na primeira legislatura de José Sócrates. Entretanto, esteve fora do Parlamento mas não da vida política do BE. Foi fundador do partido e membro da Mesa Nacional. Desde a última convenção, passou também a fazer parte da Comissão Permanente, pela corrente que Catarina Martins encabeçou, apesar de antes ter sido dirigente da UDP.

Os trunfos do PCP

João Oliveira

É um dos jovens deputados do PCP que cresceu dentro do partido. Assumiu a liderança da bancada parlamentar e ganhou espaço político. É, aliás, apontado para o futuro como continuidade do rejuvenescimento do partido, pelo menos na Assembleia da República. Voltou a ser reeleito deputado pelo círculo de Évora. Esteve sempre ao lado de Jerónimo de Sousa nas reuniões com o PS e agora nas reuniões técnicas.

Jorge Cordeiro

É um dos homens fortes da Soeiro Pereira Gomes, a sede do PCP. Nunca foi deputado, mas isso não lhe retira importância, pelo contrário. Tradicionalmente, os dirigentes mais influentes do partido nunca chegaram a sentar-se em S. Bento. Durante muitos anos foi responsável pelo setor das autarquias, um dos principais pilares do PCP. É uma espécie de porta-voz do partido.

Francisco Lopes

Durante algum tempo foi visto como um possível sucessor de Jerónimo de Sousa. É deputado e foi novamente eleito pelo distrito de Setúbal. Tal como Jorge Cordeiro, entrou para o partido em 1974 e faz parte da Comissão Política do PCP, o órgão mais restrito da direção. Foi candidato presidencial do PCP em 2011. Quando Álvaro Cunhal morreu, em 2005, foi Francisco Lopes quem leu um texto de elogio à vida e obra do líder histórico comunista.

As reuniões técnicas

Além destes nomes, que são os que estão nas negociações políticas e coordenam as reuniões políticas, há mais gente do lado do PS, PCP e BE a marcar pontos nestas negociações. Do lado do PS há ainda Adalberto Campos Fernandes, especialista em saúde pública, foi gestor hospitalar do Santa Maria e é ainda professor universitário; Helena Freitas, que foi cabeça-de-lista por Coimbra, vice-Reitora da Universidade de Coimbra, doutorada em Ecologia e foi uma das principais contribuidoras para o programa na área do ambiente; e João Pedro Matos Fernandes, atual presidente da Águas do Porto.

Do lado do BE entraram ainda nas negociações Joana Mortágua, entrou para a direção do BE em 2011 e desde o ano passado passou a fazer parte da direção mais restrita do partido (pela UDP), a Comissão Permanente, depois da luta entre as duas correntes mais importantes no BE. E entrou também Moisés Ferreira, eleito por Aveiro para o Parlamento, psicólogo de profissão e dirigente distrital do partido.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Pedro Passos Coelho

Quem tem medo de Passos Coelho?

Rui Ramos
1.960

Na história portuguesa, Passos Coelho foi o primeiro chefe de governo que, num ajustamento, não pôde dissimular os cortes com desvalorizações monetárias. Governou com a verdade. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)