O aquecimento global poderá criar picos de calor húmido no Golfo Pérsico impossíveis de suportar pelo ser humano até ao final do século, avança o The Telegraph.
O estudo, publicado pela revista Nature Climate Change, revela que se as emissões de gases com efeito estufa continuarem a aumentar ao ritmo atual, as ondas de calor que acontecem em média a cada 10 ou 20 anos podem exceder, em 2100, a capacidade de uma pessoa jovem e saudável manter uma temperatura corporal normal. O estudo acrescenta que mesmo as ondas de calor anuais de verão, ditas normais, podem tornar-se perigosas, especialmente para jovens e idosos.
“O corpo humano regula a sua temperatura para cerca de 37 graus Celsius (98,6 graus Fahrenheit) e sua pele para 35 C (95 F) “, explicou o co-autor e professor da Loyola Marymount University em Los Angeles, Jeremy Pal.
Essa diferença permite-nos aguentar o excesso de calor, sobretudo se o ar for abafado, mas só até um determinado nível. Se o calor e a humidade ultrapassarem esse nível suportável, o corpo já não é capaz de refrescar-se e começa a sobreaquecer, segundo Jeremy Pal. Esse limiar será ultrapassado, por exemplo, quando o nível de humidade de 50% for combinado com uma temperatura de 46 graus. Uma temperatura ligeiramente superior, com um nível de humidade inferior, ou vice-versa, também terá o mesmo efeito.
Climate researchers are alarmed about the future of the Persian Gulf's climate: https://t.co/8HE4DgeAzl pic.twitter.com/SN1uprgDmw
— Forbes Tech (@ForbesTech) October 26, 2015
Os investigadores explicaram que os seres humanos conseguiriam durar cerca de seis horas nesse tipo de condições antes dos corpos começarem a ceder e relembraram que algumas atividades, como a peregrinação muçulmana a Meca, poderiam tornar-se fatais devido às condições climáticas.
The Persian Gulf may be too hot for humans by 2100 https://t.co/SepKPvLstJ pic.twitter.com/XBreXeqQ0O
— The New York Times (@nytimes) October 27, 2015
Outras atividades de construção, indústria ou agricultura também seriam afetadas, sendo impossível trabalhar sob essas condições. Até à data em nenhum lugar habitado no planeta terra foi atravessada essa “linha vermelha”, mas o cientista do Instituto de Ciência Atmosférica e Clima, Cristoph Schar, recordou que em julho deste ano o Irão esteve perto de atingir esse limite, na região de Bandar Mahshahr.
Temperatures will soon be too high for human survival in the Persian Gulf: https://t.co/EmQyWvnINX pic.twitter.com/mOFczmK07j
— New York Magazine (@NYMag) October 26, 2015
As características do Golfo também são ideais, segundo os cientistas, para gerar uma espécie de caldeirão fumegante, com a absorção da radiação solar pelo mar vermelho.
Segundo o painel de ciência da ONU, está previsto que as temperaturas médias globais aumentem cerca de 4 graus, até ao final do século. De acordo com os cientistas, esse aumento daria origem a um cenário de seca extrema, supertempestades e subida dos níveis da água do mar, que provocariam migrações humanas em massa e a disseminação de doenças.