O BCP anunciou lucros de 264,5 milhões de euros no terceiro trimestre deste ano, valor que compara com prejuízo de 109,5 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2014. O resultado dos primeiros nove meses do ano ficou ligeiramente abaixo da média das previsões feita pelos analistas. 

A operação portuguesa contribuiu com 100,5 milhões de euros para o lucro, embora a forte melhoria de performance seja ainda explicada pelos ganhos em operações financeiras, resultante da venda de dívida pública no primeiro semestre. Os resultados em operações financeiras alcançaram 554,1 milhões de euros. 

Os negócios internacionais ainda têm maior peso nos lucros, valendo 149 milhões de euros dos resultados. A operação mais importante é a Polónia onde os resultados estabilizaram em 118,8 milhões de euros, mas a grande subida nos lucros de 48,7% verificou-se no Millennium Angola, banco que se irá fundir com o BPA (Banco Português do Atlântico) também angolano.

A margem financeira consolidada cresceu 22,9%, com destaque para a subida registada em Portugal que ascendeu a 514 milhões de euros. Esta evolução é atribuída à descida consistente do spread (remuneração) dos depósitos a prazo, mas também ao efeito da amortização antecipada do empréstimo do Estado (CoCos) e à diminuição do crédito vencido. 

Os resultados core, que incluem a margem financeira e as comissões, aumentaram 48% para 439,6 milhões de euros no final de setembro.

Já os custos operacionais baixaram 3,8%, com destaque para o mercado português onde a redução de gastos foi de 8,1%. Os custos com pessoal baixaram 3,5% em Portugal, o que passa pela continuada diminuição do número de colaboradores. 

Em comunicado, o BCP destaca o nível de provisões, ainda muito relevante, para fazer face a perdas no crédito, que ascenderam a 745,5 milhões de euros, mas sublinha a “tendência favorável”, face aos primeiros nove meses de 2014, quando as imparidades de crédito totalizavam 1017,5 milhões de euros. 

Nuno Amado afasta aumento de capital na Polónia

Os depósitos cresceram 2% e o financiamento obtido junto do Banco Central Europeu (BCE) baixou para 5,9 mil milhões de euros. O rácio core Tier 1 fixou-se em 13,2%, ainda se contar com o impacto da junção do Millennium Angola com o BPA. 

Na apresentação dos resultados, o presidente Nuno Amado, afastou a possibilidade de realizar um aumento de capital no Millennium Bank polaco, defendendo que o banco tem níveis de solidez financeira confortáveis, mesmo considerando os testes de stress cujos resultados serão divulgados em novembro. 

O presidente do BCP acrescentou que a unidade na Polónia está bem recapitalizada para responder ao impacto de medidas anunciadas pelo novo governo na Polónia no que respeita ao crédito à habitação concedido pelos bancos polacos em francos suíços. Em causa poderá estar um imposto sobre o setor bancário e a conversão dos empréstimos para a moeda polaca, com os bancos a terem de assumir parte da perda resultante da desvalorização cambial. 

Nuno Amado manifestou expectativa de chegar a um acordo com as autoridades polacas sobre o tema.