Grécia

Foi descoberta a Acra. A fortaleza grega que vigiava Jerusalém

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Foi encontrada uma fortaleza com mais de dois mil anos debaixo de um parque em Jerusalém. É o símbolo máximo da ocupação helénica na cidade e durante séculos especulou-se sobre a sua localização.

No ano 167 a.C o rei grego Antíoco Epífanes conquistou Jerusalém. Mais tarde, e para manter o controlo no Monte do Templo construiu a Acra.

ASSAF PERETZ/ ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY

Durante séculos procurou-se e especulou-se sobre a localização de um forte grego em Jerusalém. Muitos já consideravam este um dos “maiores mistérios arqueológicos de Jerusalém”. É que os gregos estiveram na cidade e aí construíram uma fortaleza chamada Acra. Todas as provas históricas apontavam para isso, mas não se sabia onde.

Agora uma equipa de arqueólogos, que escavava um parque de estacionamento há 10 anos, descobriu aquilo que parecem ser as ruínas da fortaleza grega com mais de dois mil anos. Quem o afirma é a Autoridade de Antiguidades de Israel.

Esta “descoberta é sensacional”, garantem os diretores da escavação Doron Ben-Ami, Yana Tchekhanovets e Salome Cohen, citados pela CNN. Sensacional não apenas pela antiguidade de Acra, mas também pelo que significou na Antiguidade.

Acra remete para os tempos de Antiochus IV Epiphanes ou Antíoco Epífanes, um dos líderes dos despojos do império deixado por Alexandre o Grande. No ano 167 a.C, Antiochus IV conquistou o coração e o centro do judaísmo, Jerusalém e durante o seu período de governação quaisquer manifestações religiosas judaicas foram estritamente proibidas. Era a tentativa de helenização do povo judaico, uma política que levou a que as tensões na cidade aumentassem drasticamente, o que obrigou Antiochus IV a construir a Acra para manter o controlo dos acessos ao Templo de Jerusalém, localizado no topo do Monte do Templo, com um tamanho, calcula-se, de 250 metros por 50. 

Mas o domínio grego estava prestes a cair. Judas Macabeu liderou uma revolta que os dirigentes helénicos desvalorizaram. Em I Macabeus 1:33-35 já se relatava que:

Cercaram a Cidade de David com uma grande e sólida muralha, com possantes torres, tornando-se assim ela sua fortaleza. Instalaram ali uma guarnição brutal de gente sem leis, fortificaram-se aí; e ajuntaram armas e provisões. Reunindo todos os espólios do saque de Jerusalém, ali os acumularam. Constituíram desse modo uma grande ameaça.”

Este foi o mote dado para aquela que ficou conhecida como a revolta dos Macabeus que, em 164 a.C, conseguem recuperar o controlo da cidade israelita e, mais importante, do sagrado templo. Mas a fortaleza resistiu. Não se conhece a data exata até onde Acra resistiu, mas há relatos que foi Simão que a destruiu depois de expulsar todos os seus defensores.

No entanto, no Primeiro Livro dos Macabeus, do Antigo Testamento, conta-se que Simão “fortificou a montanha do templo do lado da cidadela e habitou ali com os seus”. Ou seja, segundo este relato Simão terá mesmo vivido no forte em vez de o destruir. Por isso, a teoria mais aceite é que a fortaleza tenha caído em desuso e fosse finalmente demolida no final do século II a.C.

Esta nova descoberta pode dar respostas a todas estas perguntas e mistérios. Como explicou Doron Ben-Ami, à Fox News, durante “dezenas de anos estudiosos, arqueólogos e historiadores andaram à procura da localização da Acra e muitas, muitas localizações diferentes foram sugeridas.” A localização de Acra sempre foi “uma questão em aberto na arqueologia de Jerusalém.”

Foram também encontradas pontas de setas em bronze com o símbolo do reino de Antiochus IV estampado, oferecendo uma pista sobre as batalhas que ocorreram naquela zona. 

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(CLARA AMI/ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY)

Ben-Ami refere ainda que esta “descoberta vai-nos permitir, pela primeira vez, reconstruir o aspeto da fortificação da cidade, em vésperas da revolta dos Macabeus.”

As escavações ainda não acabaram, esperando-se que seja possível encontrar ainda mais provas e registos sobre o período helénico em Jerusalém.

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