O governo grego está neste fim de semana a correr contra o tempo em antecipação à reunião dos ministros das Finanças do Eurogrupo de segunda-feira. Estão a suceder-se várias reuniões, entre os membros do governo e com a equipa técnica conjunta (Euro Working Group), mas parece pouco provável que o desembolso da sub-tranche de dois mil milhões de euros seja desbloqueado no encontro de segunda-feira.

O parlamento grego aprovou uma série de medidas de austeridade na sexta-feira, procurando recuperar dos atrasos que está a ter a execução do terceiro resgate. Mas continua a haver pontos em que o governo grego e os credores não estão de acordo. Segundo o Kathimerini, estas matérias incluem as regras para as execuções de hipotecas na habitação, o pagamento de dívidas fiscais, e o tema quente da subida do IVA nas escolas privadas.

Esta última medida tem penalizado a popularidade do governo, que tenta encontrar uma alternativa que os credores aceitem. Euclid Tsakalotos, o ministro das Finanças da Grécia, está a tentar propor um aumento dos impostos sobre o jogo para substituir a medida, mas não é claro se a troika irá aceitar.

Quanto à questão das hipotecas, o governo está a tentar criar um esquema em que pelo menos metade dos proprietários de habitações conseguirá manter as suas casas mesmo estando em falta com o pagamento das prestações ao banco. No plano inicialmente discutido com a troika, só cerca de um quinto das pessoas conseguirão evitar a perda da casa.

Se não houver acordo definitivo, o melhor que a Grécia pode esperar é um comunicado final do Eurogrupo que mostre um tom positivo e otimista, mesmo que não desbloqueie a tranche financeira. Mas este problema não poderá arrastar-se muito mais porque a aprovação destas medidas dará, espera-se, lugar à discussão sobre a próxima ronda de medidas de austeridade e, muito importante, o esquema para a recapitalização dos bancos. Este terá de estar concluído até ao final do ano porque a 1 de janeiro mudam as regras de recapitalização na Europa e os depositantes (acima de 100 mil euros) passam a estar em risco de perdas caso sejam chamados a ajudar no processo.