Minhas senhoras, boas notícias para aquelas que todos os meses se veem em trabalhos com o período: esqueçam os tampões espalhados pela carteira e aquele barulho da embalagem de pensos higiénicos a abrir. A Thinx, uma empresa com quatro anos, criou uma linha de roupa interior à prova de menstruação: estas cuecas conseguem absorver o equivalente a dois tampões e podem ser reutilizadas depois de lavadas.

O produto foi desenvolvido durante três anos, chegou ao mercado em janeiro do ano passado, mas só este ano é que a empresa está a ver os frutos da investigação que permitiu inventar uma peça antimicrobiana. O sucesso veio depois do lançamento de um website e de uma campanha realizada a 28 de maio de 2015, no qual se marcou o Dia da Higiene Menstrual. Em cinco dias conseguiram vender o que vendiam em cinco meses no ano passado.

Toda a gente ficou a ganhar com esta notícia: a empresa porque teve sucesso, as mulheres porque finalmente encontraram descanso (e os homens porque é sempre melhor estar ao lado de uma mulher descansada). Mas a Thinx não se ficou por aqui e lançou um vídeo pouco ortodoxo de 14 minutos sobre aquilo-cujo-nome-não-deve-ser-pronunciado. Ou seja, o período, que continua a ser um tema tabu. Antes de o ver, uma informação prévia (que é abordada no vídeo): sabia que a palavra “tabu” deriva de “tapua”, que significa “menstruação”?

https://www.youtube.com/watch?v=W-MQyta6aLc

“The Week” (que se traduz para “a semana”) começa com os relatos de histórias embaraçosas das mulheres a quem o período veio em momentos muito pouco pertinentes, quando ninguém as podia ajudar. Depois, Miki Agrawal, a CEO da Thinx, perguntou aos homens se sabiam como funciona o ciclo menstrual. E das duas, uma: ou não sabiam responder ou decidiram falar com algum – como dizer? – cuidado linguístico.

Ciente de que o tema do período continuava a ser um assunto que despertava desconforto entre as pessoas, Miki foi em busca das origens dessa timidez. Descobriu-a, logo à partida, na religião: tanto na Bíblia como no Alcorão, a menstruação aparece associada à palavra “impureza”. Em alguns países, essa visão de algo “tão natural e que não depende da vontade da mulher”, palavras de Miki, é levada à letra: no Uganda, 50% das meninas menstruadas faltam à escola durante a semana do período.

Como se acaba com esta visão que ainda se tem da menstruação? A CEO da Thinx diz que o melhor é apostar na menstruação: “A sério? Só três grandes invenções no século XX inteiro?”, questiona Miki. “Isto é uma injustiça. Nós não vamos parar enquanto não houver igualdade de género. Estamos numa missão”, afirma a CEO da Thinx.