O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) marcou uma vigília de seis dias, a partir de quarta-feira, e uma greve de três de enfermeiros do hospital de Évora, em protesto contra a alegada discriminação salarial destes profissionais.

A vigília arranca na quarta-feira, às 08:00, e prolonga-se até sexta-feira, voltando a realizar entre 02 e 04 de fevereiro, dias em que os enfermeiros vão também estar em greve.

O coordenador do SEP no Alentejo, Edgar Santos, explicou hoje à agência Lusa que o protesto está relacionado com o Instrumento de Regulamentação Coletiva de Trabalho, assinado, em setembro, entre o sindicato, hospitais e Ministério da Saúde.

Este acordo, explicou, serviu para “repor o vencimento dos enfermeiros com contrato individual de trabalho ao mesmo nível do dos enfermeiros com vínculo público”, porque os primeiros “ganhavam menos” do que os segundos.

“O que leva a este protesto é que o Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) só está a aplicar este acordo a metade dos enfermeiros abrangidos”, criticou.

Segundo Edgar Santos, os enfermeiros com contrato individual de trabalho “que estavam a fazer 40 horas semanais já viram os seus ordenados repostos”, mas “o mesmo não aconteceu” com os enfermeiros que, apesar de terem vínculo idêntico, “foram admitidos primeiro, em 2007, e fazem 35 horas”.

“No caso destes, o HESE não quer aplicar o acordo de reposição do vencimento porque pretende que eles façam as 40 horas”, disse.

O SEP argumentou que “o acordo não faz esta distinção”, ou seja, “é para ser aplicado independentemente dos horários dos enfermeiros”, e entende que, por isso, estes “cerca de 80” profissionais “estão a ser prejudicados e discriminados”, face aos colegas.

“Os enfermeiros têm estado à espera que a administração do HESE resolva esta questão”, mas o hospital “continua a dizer que está à espera de um parecer”, pelo que decidiram “avançar para a vigília e para a greve”, frisou Edgar Santos.

Durante a vigília, que inclui, na sexta-feira, uma deslocação à Administração Regional de Saúde do Alentejo, uma delegação dos enfermeiros “vai manter-se à porta do HESE, a aguardar que o hospital comunique se vai ou não corrigir os vencimentos”.

Seguem-se os três dias de greve agendados para o início de fevereiro, que vão coincidir com mais três dias de vigília.

A Lusa contactou o HESE, mas, até meio da tarde de hoje, o hospital não prestou qualquer informação.