Quem for este ano ao Museu, à Casa e ao Parque de Serralves, no Porto, terá sempre à sua espera pelo menos um evento por dia. A programação para 2016 foi apresentada esta terça-feira e há mais de 500 eventos para aproveitar, entre os quais exposições da importante coleção Sonnabend, de Wolfgang Tillmans e de Siza Vieira, onde será revelado pela primeira vez o arquivo do arquiteto portuense Siza Vieira incorporado no acervo de Serralves.

As coleções serão o elemento central do programa e a 6 de fevereiro chega ao museu a importante coleção histórica da Galeria Sonnabend, hoje na posse do português António Homem (comissário da exposição). “The Sonnabend Collection: Meio século de arte europeia e americana. Part 1” foca-se na pop art, no minimalismo, na arte povera, no pós-minimalismo e na arte conceptual e será mais abrangente do que a exposição “Sonnabend | Paris – New York”, apresentada no ano passado no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, em Lisboa.

Eis agumas obras que vão poder ser vistas no Porto:

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Antes, a 28 de janeiro e a 30 de janeiro inauguram, respetivamente, “Liam Gillick: Campanha“, do influente artista britânico sobre as visitas que fez a Serralves em 2013, e “Wolfgang Tillmans: No Limiar da Visibilidade“, primeira mostra do artista alemão em Portugal onde se incluem 161 obras variadas, desde fotografias a instalações.

Silvestre Pestana será um dos artistas portugueses em destaque, a 28 de maio, com a inauguração de “Techno-form [Tecnoforma]”. “É a primeira grande exposição alguma vez organizada por um museu a este artista português”, disse Suzanne Cotter, diretora do Museu. Para o último trimestre Serralves guardou uma grande exposição coletiva com as aquisições recentes de arte portuguesa para a Coleção de Serralves. Na arquitetura, a exposição “Arquivo Siza” revelará, pela primeira vez, o arquivo do arquiteto portuense Siza Vieira que foi recentemente incorporado no acervo de Serralves.

135cm, 2.3, standard 1,5/2,5 cm BORDERS, Studio E11880, tarantella test,

Wolfgang Tillmans: “Lampedusa”, 2008. ©Cortesia Galerie Buchholz, Berlin/Cologne, Maureen Paley, London, David Zwirner, New York

Ana Pinho, presidente do Conselho de Administração, adiantou que existem conversações com o Governo no sentido de organizar na Casa de Serralves a primeira exposição das obras de Joan Miró, pertencentes ao antigo BPN. Foi em dezembro que o Ministro da Cultura João Soares disse ter proposto à Fundação de Serralves que a primeira exposição das obras do catalão acontecesse ali. “Vamos ver agora se é ou não possível”, sublinhou Ana Pinho, sobre a possibilidade de acrescentar em cima da hora mais uma mostra à programação.

O que pode querer dizer que as 85 obras podem ficar depositadas no sul do país, atendendo a que, duas semanas depois, João Soares acrescentou que “se o acervo do Miró ficar depositado em Lisboa, como espero que possa ficar num espaço nacional, a primeira exposição deve ter lugar no norte do país para que ele seja inventariado (…). Se o acervo vier a ficar no Porto, também há possibilidades que ele possa ficar no Porto ou no Norte do país, a primeira exposição se deve fazer no sul do país”.

O orçamento para 2016 “aumentou ligeiramente”, disse Ana Pinho. O valor andará à volta dos oito milhões de euros, dos quais 2,8 milhões vêm do Orçamento de Estado. Para além das exposições há cinema, conferências, atividades ao ar livre no parque, visitas guiadas em linguagem gestual e iniciativas para crianças. Para os dias 4 e 5 de junho está marcado o Serralves em Festa, super evento com 40 horas de programação sem parar. “Vai ser tão extraordinário como de costume”, prometeu Suzanne Cotter.

As atividades no Parque também são muitas e variadas. Destaque para a terceira edição do Bioblitz, a 7 de maio, com uma série de atividades que buscam a biodiversidade, “O Parque em UV“, uma exposição de fotografia à luz dos raios ultravioleta agendada para junho, e o evento de iluminação decorativa “Há Luz no Parque“, em julho e agosto, que permite aos visitantes conhecerem o Parque de uma forma original, com vários percursos iluminados e divertirem-se com as diversas atividades paralelas, entre as quais concertos e workshops de fotografia.

Serralves 2016 Há Luz no Parque foto de Filipe Braga (6)

A luz transforma completamente a paisagem de Serralves. ©Filipe Braga / Divulgação

No cinema, destaque para os vários ciclos comissariados por António Preto, dedicados a importantes temas e cineastas da história recente do cinema. Ao longo do ano serão exibidos no auditório do Museu, por exemplo, filmes históricos e um ciclo de filmes dos anos 60 e 70 — em paralelo com a exposição da Coleção Sonnabend. Entre setembro e dezembro, o realizador português Edgar Pêra terá ali uma retrospetiva. Já este mês, entre 28 e 31 de janeiro, passará por ali a 12.ª edição do Kino – Mostra de Cinema de Expressão Alemã.

A propósito do anúncio desta segunda-feira de que a Fundação Sindika Dokolo se vai fixar na Casa Manoel de Oliveira, bem perto de Serralves, Ana Pinho disse aos jornalistas não ter em vista nenhuma parceria pensada com aquela instituição, também muito focada na arte contemporânea. “Ainda não há contactos”, disse, sublinhando que a “resolução de um equipamento que estava sem uso” é uma boa notícia.

Quanto à Casa do Cinema Manoel de Oliveira que a Fundação de Serralves vai construir, e onde incluirá o acervo do realizador portuense falecido no ano passado, a presidente disse que o projeto, desenhado por Siza Vieira, “está concluído”. Mas o programa de fundos comunitários o qual vão apresentar candidatura ainda não abriu. Sem isso, a construção não iniciará.