Dois naufrágios separados ao largo de duas ilhas gregas causaram a morte a 45 pessoas, entre as quais 17 crianças, afirma o jornal britânico The Guardian.

Segundo a publicação, uma embarcação piscatória de madeira, que transportava entre 70 a 100 pessoas, naufragou junto à ilha de Kalymnos, no Mar Egeu. A Guarda costeira helénica recolheu 34 corpos e conseguiu salvar 26 pessoas. Os restantes estarão desaparecidos, segundo o The Guardian.

Ao mesmo tempo, uma outra embarcação (também de madeira), que transportava 49 pessoas, naufragou depois de embater contra uma área rochosa junto à costa da pequena ilha de Farmakonisi, no Mar Egeu. Quatorze pessoas conseguiram sobreviver e dar à costa e uma rapariga foi resgatada, mas a Guarda Costeira recolheu oito corpos do mar: seis crianças e duas mulheres morreram.

Só nos primeiros 22 dias deste mês já morreram pelo menos 113 pessoas no mar Egeu, um número maior do que as mortes registadas em janeiro de 2015 (82) e em janeiro de 2014 (12).  A chanceler alemã Angela Merkel já comentou os acidentes, sublinhando que para evitar que acidentes como este é preciso combater as causas da atual crise de refugiados:

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Hoje ficámos a saber das terríveis mortes no mar Egeu. Não podemos permitir que os contrabandistas e traficantes [humanos] da Turquia e da Grécia continuem a trabalhar nas suas operações. Estou convencida que a questão dos emigrantes ilegais pode apenas ser resolvida se primeiro combatermos juntos as causas [da crise de refugiados]… e enquanto união temos um grande interesse em manter o acordo de Schengen juntos”

A chanceler alemã falava após uma reunião com o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoğlu, que teve lugar em Berlim.

A opinião não foi corroborada pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls. À BBC, o PM francês sublinhou antes a necessidade da Europa em proteger as suas fronteiras: “Se a Europa não é capaz de proteger as suas próprias fronteiras, é a própria ideia de Europa que será posta em causa”.

Quanto a refugiados vindos do Iraque e da Síria, a Europa não os pode receber a todos, alertou Manuel Valls: “Caso contrário, as nossas sociedades serão totalmente desestabilizadas”.