Dilma Rouseff comentou as declarações do ministro da Saúde, Marcelo Castro, que admitiu que o Brasil estava a perder a batalha contra o vírus zika. O comentário do ministro brasileiro causou burburinho, mas Dilma desvalorizou e até assinou por baixo. Na sexta-feira soube-se também que a presidente do Brasil recebeu uma telefonema de Barack Obama para definir uma estratégia de ataque ao mosquito.

“É impressionante, achei fantástico”, dizia sexta-feira sobre o tal burburinho causado pelo desabafo de Marcelo Castro. “Porquê criar um problema com a constatação da realidade? Dizer que estamos perdendo [a guerra] é porque queremos ganhar. Nós queremos ganhar. Estamos dizendo: se não nos mobilizarmos, vamos perder isso. Vamos mobilizar-nos”, afirmou Dilma, citado aqui pela Globo.

E voltou a dizer: “Nós estamos perdendo. Enquanto o mosquito se reproduzir, estamos perdendo a luta. Se eu dissesse que nós estamos ganhando a luta, estaríamos numa fase mais avançada. Mas nós vamos ganhar essa luta, é uma outra coisa. Nós vamos mostrar que o povo brasileiro vai ganhar essa guerra”, completou a presidente.

Barack Obama ligou a Dilma Rouseff

O Presidente dos EUA, Barack Obama, telefonou na sexta-feira à sua homóloga brasileira, Dilma Rousseff, para “partilhar preocupações” com a propagação rápida do vírus Zika, particularmente perigoso para as mulheres grávidas.

“O Presidente falou ao telefone com a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, para evocar as suas inquietações partilhadas perante a propagação do vírus Zika no Ocidente”, indicou a Casa Branca, em comunicado.

“Os dois dirigentes estão de acordo sobre a importância dos esforços de colaboração para aprofundar o nosso conhecimento, sobre as pesquisas avançadas e uma aceleração dos trabalhos de desenvolvimento das melhores vacinas e outras tecnologias para controlar o vírus”, acrescentou-se no texto.

“Os líderes concordaram com a importância de esforços de colaboração para aprofundar nosso conhecimento, avançar em pesquisa e acelerar o trabalho para desenvolver melhores vacinas e outras tecnologias para controlar o vírus”, dizia a nota do governo norte-americano.

A Organização Mundial de Saúde anunciou na quinta-feira uma reunião de urgência, em 01 de fevereiro, sobre o vírus Zika, que se propaga de “maneira explosiva” no continente americano, com três a quatro milhões de casos esperados para este ano. O Brasil é particularmente afetado.

A infeção transmite-se, como o chikungunya ou a dengue, por uma picada de mosquito e manifesta-se por sintomas gripais (febre, dor de cabeça, dores musculares) com erupções cutâneas.

Não existe antiviral contra o vírus. Apenas tratamento daqueles sintomas, que por vezes passam desapercebidos e são geralmente benignos.

Porém, apesar de benigna na aparência, a infeção é suspeita de causar graves malformações congénitas cerebrais ao feto nas mulheres grávidas infetadas, designadamente a microcefalia, que é um desenvolvimento insuficiente da caixa craniana.