José Veiga, que chegou a ser o maior empresário do futebol mundial, foi detido esta quarta-feira juntamente com Paulo Santana Lopes, irmão do ex-primeiro ministro, e com a advogada Ana Barbosa. Em causa estarão negócios no Congo cujos lucros seriam aplicados na compra de vários bens em Portugal. Os crimes pelos quais os suspeitos estão indiciados englobam assim o branqueamento de capitais, tráfico de influências, participação económica em negócio e fraude fiscal.

No entanto a operação da Polícia Judiciária, com o nome de código “Rota do Atlântico”, pode estar a chegar a outras figuras próximas do empresário e ex-diretor-geral do Benfica. Isto porque, segunda noticia o Correio da Manhã (CM) esta quinta-feira, no meio deste esquema de branqueamento de capitais e evasão fiscal a PJ suspeita da parceria entre Veiga e Manuel Damásio.

Em concreto, as autoridades apontam como alvo o Hotel Intercontinental do Estoril, cuja aquisição por parte de Veiga pode ter servido como forma de lavar os cerca de 500 milhões que circularam pelas contas do antigo empresário de Luís Figo nos últimos cinco anos. Ora, terá sido esta situação, conta ainda o CM, que levou a PJ ao referido hotel para a realização de buscas, mais precisamente na suite onde vive o antigo presidente do Benfica, Manuel Damásio.

Entretanto, e também ao CM, o antigo líder dos encarnados confirmou a realização de buscas por parte da PJ no seu escritório, revelando que não se encontrava no local nesse momento e que os elementos policiais foram recebidos pela sua secretária que colaborou totalmente com as autoridades.

Ainda durante o dia desta quinta-feira, e na sequência da notícia da detenção dos empresários e da advogada, soube-se que foram realizadas buscas nas zonas de Lisboa, Braga e Fátima estando envolvidos cerca de 120 elementos da PJ e dez magistrados. O Ministério Público informou mais tarde que foram alvo desta operação um banco, três escritórios de advogados, sedes de empresas e várias casas.

E terá sido precisamente numa dessas casas, alegadamente varridas a pente fino pelos elementos da Unidade de Combate à Corrupção da PJ, onde foram encontrados oito milhões de euros em dinheiro vivo num cofre, dá conta o Público. A habitação está em nome de uma off-shore aparentemente ligada ao empresário, o que leva a crer que seria utilizada por si. Além deste montante, as autoridades apreenderam ainda quantias significativas em contas bancárias, imóveis e carros de luxo, quase tudo em nome de off-shores.