O Tesouro português vai esta quarta-feira emitir dívida pública nos mercados, numa operação que devido aos prazos muito curtos dificilmente se irá ressentir das condições mais difíceis para Portugal nas últimas semanas. O IGCP vai colocar títulos a três e 11 meses, num montante total previsto entre 750 milhões e 1.000 milhões, menos do que o previsto no início do ano.

No programa de financiamento para 2016, as emissões de bilhetes do Tesouro para o primeiro trimestre previam a emissão de um valor total entre 1.000 e 1.250 milhões de euros nesta quarta-feira, 17 de fevereiro. Contudo, o IGCP preferiu limitar o montante pretendido nesta operação a um intervalo entre 750 milhões e 1.000 milhões de euros. 

Em circunstâncias normais, as emissões de dívida de curto prazo dificilmente podem ser consideradas barómetros para a perceção de risco em torno de um país. Os prazos são muito curtos e nem na reestruturação da dívida da Grécia (em 2012) a dívida de curto prazo foi envolvida. Por estas razões, os preços e juros de emissão dependem mais das taxas de juro definidas pelo BCE e das expectativas de inflação do que da perceção de risco específica de um país.

Ainda assim, a linha a 11 meses que será leiloada tem vindo a ser negociada entre os investidores a uma taxa de 0,1%, quando há algumas semanas dívida com este prazo tinha uma taxa implícita muito próxima de zero. O IGCP vai, também, utilizar uma linha de dívida a três meses, onde as taxas têm rondado os 0%, pelo que é possível que o IGCP volte aqui a pagar taxas negativas neste prazo mais curto.