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Banco de Portugal, Governo e CMVM “mudaram de comportamento” sobre a situação dos lesados do BES, afirma o presidente da Associação. No final da reunião, o presidente da associação dos lesados do BES afirmou que “existe finalmente uma concertação estratégica entre as três entidades para chegarem a um acordo. Acreditamos que esse acordo seja positivo”.

O mesmo representante esclarece que “a abordagem de crispação desapareceu e entrou a abordagem de conciliação”. Ricardo Ângelo destacou ainda que foram informados que “da parte do Banco de Portugal nunca houve falta de vontade. Havia graves problemas técnicos, havia, muitas vezes até, problemas de vontade governativa”.

E afinal, o que mudou desde a reunião de fevereiro de 2015? “Mudaram as circunstâncias políticas, e mudou a relevância que temos na sociedade portuguesa” responde Ângelo. Sobre António Costa, não adianta muito: “O primeiro-ministro fez o que achou bem. Como é lógico achámos correto. Mas o primeiro-ministro tem razão numa coisa: os cidadãos têm que ter acesso à justiça”.

Mas Ricardo Ângelo também faz referência ao “dano” que os lesados do BES conseguiram “causar”. Aqui, o representante destaca o poder dos cidadãos “que se reuniram e que, de uma vez por todas, não deixaram que, mais uma vez, as entidades governamentais fizessem aquilo que queriam”.

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Com reuniões de regularidade semanal, Ângelo afirma que “em três semanas” terão “com certeza novidades”, dado que existe “celeridade no processo”, algo com que a Associação não contava. “Acima de tudo, há uma vontade das três partes para haver uma solução, e isso é o mais importante”, salienta o presidente da Associação dos Lesados e Indignados do Papel Comercial do BES. Ou seja, existe vontade para se chegar a um consenso.

No entanto, esta não é uma garantia que se tenha chegado a algo “final”. Aquilo que ocorreu, segundo o presidente da Associação de lesados do BES, foi uma “mudança de comportamento” tanto da parte dos prejudicados, a quem o tempo trouxe “a capacidade de digerir melhor as coisas”, bem como de “todas as entidades”.

Quando questionado sobre a possibilidade de manifestações, Ricardo Ângelo argumenta que “não há manifestações quando existe concertação”, dizendo que os lesados não têm interesses “contra o Novo Banco”. Pelo contrário, têm “interesse em valorizá-lo”, uma vez que o Novo Banco “continua a ser” o seu banco.

Editado por Filomena Martins