“A Fitch reviu a previsão de crescimento do Brasil para -3,5% em 2016 e 0,7% em 2017, quando em dezembro previa uma recessão de 2,5% este ano e um crescimento de 1,2% em 2017”, lê-se no relatório sobre as Perspetivas Globais da Economia (‘Global Economic Outlook’, no original em inglês), hoje divulgado.

No relatório, que antecipa um crescimento mundial de 2,5% este ano e uma ligeira aceleração para 2,9% em 2017, a Fitch diz que, no caso do Brasil, “a mais recente revisão em baixa reflete a incerteza política crescente e o seu impacto na confiança, deteriorando o mercado laboral e as condições de crédito, bem como o aperto pró-cíclico da política económica ao longo de 2015”.

Na opinião da Fitch, “a descida reflete a visão segundo a qual a economia vai demorar mais tempo a recuperar devido à continuada incerteza política, confiança deprimida e ventos contrários externos mais fortes, que resultam do declínio do preço das matérias-primas, a continuada volatilidade financeira internacional e o abrandamento da China”.

Lembrando que o consumo e o investimento “devem contrair-se ainda mais em 2016”, a Fitch escreve que “o aumento da taxa de desemprego e as dificuldades de crédito vão limitar o consumo, ao passo que as incertezas políticas e as pobres perspetivas para a procura vão fazer com que o investimento caia significativamente em 2016”.

A inflação, diz, deve abrandar, mas “deverá ficar acima da taxa do banco central”, que aposta numa inflação de 4,5% com uma oscilação de dois pontos para cima ou para baixo – em janeiro a taxa estava nos 10,7%.