A Amnistia Internacional denunciou esta sexta-feira o medo generalizado com detenções e torturas em El Fasher, no Sudão, situação agravada por ajuda humanitária limitada, um ano após as Forças de Apoio Rápido (RSF) tomarem a cidade.
As “atrocidades contra civis” nesta cidade do Darfur do Norte são documentadas pela Amnistia Internacional (AI) num documento que inclui testemunhos de residentes que fugiram recentemente da cidade, relatando escolas transformadas em centros de detenção, circulação controlada e execuções ilegais generalizadas.
A maioria dos relatos são de homens que estiveram detidos e testemunharam execuções ilegais, sofreram tortura e outros maus-tratos, e que conseguiram fugir ou foram libertados depois de os familiares terem pago um resgate.
Mulheres, crianças e alguns homens idosos ou feridos foram mantidos em escolas, que funcionavam como centros de detenção de facto, onde se descreveram elevadas taxas de desnutrição.
A AI descreve ainda testemunhos de situações de trabalho forçado, tanto de homens como de mulheres, como recolher cadáveres e escombros das ruas de El Fasher, ou cozinhar e limpar para as RSF sem qualquer compensação.
De acordo com dados recolhidos por organizações humanitárias que trabalham na cidade, o medo generalizado e as atrocidades cometidas levam à fuga de todos os que podem e a cidade de El Fasher tem agora menos de 70.000 pessoas, em comparação com mais de um milhão antes da guerra.
“Hoje, uma atmosfera de medo generalizado paira sobre El Fasher. Homens e mulheres vivem sob vigilância constante das RSF e sob a ameaça constante de detenção, tortura e morte”, afirmou Agnès Callamard, secretária-geral da AI, que documenta acesso humanitário limitado, e os trabalhadores humanitários e outros civis constantemente sob vigilância.
A responsável diz ainda que “as alegações das RSF de que El Fasher é segura para o regresso dos civis após os horríveis massacres que ocorreram há um ano não poderiam estar mais longe da verdade”.
A dirigente desta organização de defesa dos direitos humanos também lamenta a falta de “tentativas diplomáticas para estabelecer uma força internacional que proteja os civis“.
“Fundamentalmente, os Emirados Árabes Unidos continuaram a apoiar as RSF, enquanto os governos com a influência necessária falharam, em grande medida, em identificar e denunciar o seu papel ou em responsabilizá-los”, disse Callamard.
Do outro lado, acrescenta, as Forças Armadas sudanesas, que lutam contra as RSF, “têm-se oposto à prorrogação do embargo de armas e a um cessar-fogo acreditando numa solução militar”.
A Amnistia Internacional recorda que, em julho, divulgou um relatório que documentava como as RSF cometeram crimes contra a humanidade e limpeza étnica durante a sua campanha para tomar El Fasher, afirmando que continuam a verificar-se abusos “por ambas as partes no conflito no Sudão”, incluindo em El Obeid, no Cordofão do Norte, bem como nos estados do Cordofão do Sul e do Nilo Azul.
A organização volta a apelar às RSF para libertarem “todas as pessoas que foram detidas arbitrariamente e porem fim à tortura e às execuções ilegais, tanto durante a detenção como noutros locais” e que cessem “o recurso ao trabalho forçado, que é proibido pelo direito internacional”.
Além disso, insiste na necessidade de um cessar-fogo imediato e de uma força internacional para proteger os civis.
“Todos os países devem também cessar imediatamente o fornecimento de armas e munições a todas as partes envolvidas no conflito no Sudão”, pede a AI.
[Em dezembro de 2009, uma mulher é encontrada assassinada a tiro no estado do Rio de Janeiro. A polícia brasileira há-de confirmar que o corpo é de Rosalina Ribeiro, a herdeira de um milionário português, que tinha sido dada como desaparecida. A última pessoa conhecida a vê-la com vida tinha sido o advogado português dela, o ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD Domingos Duarte Lima. Já pode ouvir, em antestreia, o primeiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]