Jerónimo de Sousa ainda nunca discutiu com António Costa o plano B exigido por Bruxelas em maio (ou seja, as medidas adicionais ao Orçamento) mas já tem várias propostas a apresentar aos socialistas. “Não diria que o Governo ficasse em causa”, defende.

Em entrevista à Antena 1, o secretário-geral do PCP começa por garantir que desconhece qualquer plano B. “Aquilo que António Costa disse publicamente foi o que nos disse a nós. Não temos conhecimento no concreto sobre o que significa o plano B”, afirmou. Jerónimo, porém, não se mostra apreensivo. Quando se começar a discutir as medidas adicionais, o PCP tem em carteira várias propostas para arrecadar mais receita: “Num quadro de um esforço nacional, uma política fiscal tem que ir buscar [dinheiro] onde existe”. E dá exemplos: “aplique-se uma taxa extraordinária à Repsol, à Galp”.

No fundo, o que Jerónimo de Sousa está a dizer é que o PCP vai insistir com algumas das propostas que já apresentou na discussão do Orçamento para 2016 e que foram chumbadas pelo PS. Trata-se, por exemplo, da criação de um imposto sobre o elevado património mobiliário, o aumento das contribuições do setor energético ou o aumento da taxa adicional de solidariedade em sede de IRS nos rendimentos acima de 80 mil euros (matéria coletável por sujeito passivo).

As linhas vermelhas do PCP, BE e Os Verdes para o plano B são, aliás, conhecidas. São as mesmas que estiveram em cima da mesa na negociação dos acordos com o PS em outubro: não aceitam cortes salariais, cortes nas pensões ou mais carga fiscal, seja nos rendimentos dos trabalhos ou das pensões.

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Sobre o Orçamento para 2016, Jerónimo reconhece que foi “o culminar de um processo que não foi simples nem fácil”, mas que o PCP nunca pensou votar contra ou abster-se. Mas admite que “há-de chegar o momento de contradição insanável, quando todos estiverem de acordo com necessidade de mais crescimento mas as amarras proibirem-nos de andar”, referindo-se à União Europeia.

Sobre a sua continuidade como secretário-geral do PCP (congresso é no fim do ano), Jerónimo é taxativo ao dizer que “a disponibilidade é muita e condições anímicas também. Por enquanto, pode-se dizer que está a andar bem”.