O talento dos jovens designers

Desta vez não foram os Storytailors que inauguraram a passerelle do Portugal Fashion (mas já lá vamos). A responsabilidade de abrir a 38ª edição ficou nas mãos dos alunos do curso profissional técnico de Design de Moda. Pela primeira vez na história do evento, o desfile coletivo da Arte Moda by Casa Pia — com três coordenados de cada um — ocupou a sala principal do Convento do Beato, em Lisboa, pelas 18h30 de quarta-feira e foi uma agradável surpresa. Do padrão em xadrez preto e branco de Antónia Pires às personagens “Pocahontas” e “Merida” de Madalena Nunes, estes jovens designers são a prova de que há novos talentos para descobrir (e apoiar) na moda portuguesa.

O novo conto de fadas dos Storytailors

Como contadores de histórias que se prezem, João Branco e Luís Sanchez decidiram inspirar-se no passado, presente e futuro para darem vida ao conto “A Caminhada da Viúva Branca”. O desfile da duploa arrancou assim com alguns coordenados com capas e capuchos ao estilo A Guerra dos Tronos, evoluindo depois para uma espécie de guarda-chuva que está agarrado às peças. “Queríamos que as texturas fizessem lembrar a neve e o gelo, por isso tentámos que os cortes e motivos sugerissem conchas, espirais e escamas”, explica a dupla ao Observador. Objetivo concretizado.

A coreografia de Alves/Gonçalves

O primeiro dia do 38.º Portugal Fashion terminou com a coleção da dupla Alves/Gonçalves mas foi a coreografia do desfile que chamou mais à atenção. As modelos desfilaram na sala principal do Convento do Beato de forma paralela com coordenados repletos de diferentes texturas (veludos, rendas, crepes e lãs) em preto, cinza, vermelho e azul profundo que “representam um look muito mais feminino, irreverente e íntimo”, como resumem os designers ao Observador.

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O preto de Anabela Baldaque

No Porto, o segundo dia do evento arrancou no polo de Matosinhos do CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel) com um total de seis desfiles. A estética minimalista de Júlio Torcato abriu a passerelle e a mulher provocante de Fátima Lopes fechou as hostilidades com casa cheia, mas foi Anabela Baldaque que surpreendeu com cinzentos, pratas, azuis intensos e… preto. Apesar de não ser a primeira vez que a criadora usa a cor da elegância, também não é comum que o faça. “Inspirei-me na personagem de uma vizinha noturna que é misteriosa e enigmática”, diz ao Observador. “Por isso decidi usar preto mas tenho desculpa porque contrabalancei com o cor-de-rosa que é uma cor muito feminina”, brinca.

A estreia da Pé de Chumbo

A Pé de Chumbo já é uma referência na indústria de têxtil e de vestuário e não desiludiu quando pisou a passerelle do Portugal Fashion pela primeira vez. A marca de autor, criada pela designer Alexandra Oliveira, apresentou propostas de inspiração étnica com mistura de lãs e alguns tecidos finos transparentes em tons de cinza, preto, beges e vermelhos. “Esta coleção é o reflexo do principal conceito e motivo distintivo da Pé de Chumbo: as texturas”, diz Alexandra Oliveira. Atualmente a marca está presente em mais de 100 lojas nos cinco continentes e a Turquia é o seu maior cliente. Razões suficientes para acreditar que este desfile foi a grande revelação do evento portuense.

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A edição continua na Invicta durante os dias 18 e 19 de março com desfiles na Alfândega do Porto e no Museu do Carro Elétrico. É lá que vão ser apresentadas as coleções de Carlos Gil, Miguel Vieira, Luís Buchinho e Diogo Miranda, recém-chegadas da Semana de Moda de Milão e Paris. Nestes dias, o calendário oficial ainda vai incluir uma exposição de joias com a participação de 10 expositores no auditório da Alfândega.