Os protestos continuam esta quinta-feira em várias cidades de França. Apesar das medidas anunciadas pelo Governo, incluindo o reforço do orçamento para a Educação, os estudantes e professores voltaram às ruas e, de acordo com os dados provisórios divulgados esta quinta-feira pelo Ministério da Educação, há aulas “total ou parcialmente suspensas” em 375 estabelecimentos de ensino do país.

Deste número, noticia o Le Figaro, 224 estão totalmente encerrados e 151 funcionam parcialmente. O ministério sublinha que 94% dos estabelecimentos do país estão abertos, total ou parcialmente, e que o número de escolas afetadas diminuiu 30% face a quarta-feira.

Os movimentos estudantis tinham apelado à continuação dos protestos depois da mobilização de terça-feira, que levou entre 266 mil e 450 mil pessoas às ruas em todo o país. A União Estudantil pediu para que esta quinta-feira se fizessem concentrações junto às câmaras municipais da região de Île-de-France entre as 12h00 e as 14h00 locais.

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O Governo procura entretanto reduzir a tensão através do diálogo. O ministro da Educação, Édouard Geffray, recebe esta quinta-feira, às 15h00 (14h00 em Lisboa), as três principais associações de estudantes do ensino secundário, numa reunião que contará também com a presença de Philippe Baptiste, ministro encarregado do Ensino Superior e Investigação. O encontro tinha sido prometido pelo executivo na semana passada.

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Em Paris, as forças de segurança tentaram dispersar um grupo de jovens representantes da Liga dos Direitos Humanos e da Federação dos Conselhos de Pais de Alunos. Os agentes retiraram ainda caixotes do lixo que tinham sido colocados no meio da estrada nas proximidades da Praça da Nação.

Também há manifestações noutras cidades, relata o Le Monde. Em Nantes, estudantes do ensino secundário, universitários e representantes sindicais concentraram-se junto ao Miroir d’eau, em frente ao Castelo dos Duques da Bretanha. Em Bordéus, centenas de estudantes reuniram-se na Praça da Vitória, embora em número significativamente inferior ao registado nos dias anteriores. Representantes da CNT, CGT, FSU e FO (principais organizações sindicais de França) também estiveram presentes. Durante a concentração, um estudante agradeceu a presença dos sindicatos, mas fez questão de sublinhar: “Queremos recordar que os estudantes do ensino secundário são independentes”.

Na região de Lyon, a mobilização concentra-se sobretudo nos estabelecimentos de ensino das periferias, considerados pelos professores como muito afetados pela falta de recursos. A manifestação desta quinta-feira começou em Bron, nos arredores da cidade. “Vemos a situação a degradar-se há dez anos, estamos na primeira linha. Os bairros populares são os primeiros a sofrer com a falta de pessoal”, afirmou Patrick Samzun, professor no liceu Marcel Sembat, em Vénissieux.