A vítima chegou à Polícia Judiciária de Vila Real completamente transtornada. Andava há dias a receber mensagens ameaçadoras. Primeiro diziam que se não pagasse 5 mil euros seriam reveladas provas de que tinha sido infiel. Depois, vieram ameaças de morte do filho, com pormenores detalhados sobre o seu dia-a-dia. O queixoso sentia medo e insegurança.

O primeiro objetivo da PJ foi travar o suspeito. Não sabiam do que poderia ser capaz. Se era “bluff” ou não. “Pensámos tratar-se de um delinquente, já com passado criminal”, disse ao Observador fonte da PJ. Mas o suspeito era inteligente. Usava telemóveis e cartões não identificados para amedrontar as vítimas. Ao fim de dois meses, os inspetores conseguiram localizar a pessoa que tinha enviado as mensagens. E ficaram admirados com quem encontraram: uma professora do ensino secundário, de 39 anos, com uma vida aparentemente normal. Casada e com filhos ainda pequenos.

A professora está esta quinta-feira a ser ouvida por um juiz de instrução para aplicação de medidas de coação, indiciada do crime de extorsão agravada. Foi detida há dois dias, em casa, por elementos da Polícia Judiciária de Vila Real, numa investigação que revelou que a suspeita era “muito inteligente”. O marido, diz fonte da PJ ao Observador, foi completamente apanhado de surpresa.

Começou com uma denúncia. Já vai em sete

Segundo a PJ, a investigação começou com uma denúncia. Já depois de a suspeita ser detida, apareceram mais três vítimas. E, neste momento, estão já sete vítimas identificadas. “Suspeitamos que vai haver mais”.

Como a prioridade dos investigadores era parar com as ameaças, nesta fase do inquérito ainda há pormenores por esclarecer. A PJ desconhece como é que a suspeita sabia dos casos de infidelidade. “Faria ela própria investigação? Havia uma terceira pessoa a fazê-lo?”, interroga-se a polícia. E também não se sabe se faria mesmo “bluff” quando proferia as mais diversas ameaças.

Entre as sete vítimas há homens e mulheres. Algumas avançaram mesmo com o pagamento para que não fossem descobertas. Não há qualquer ligação entre elas. Só uma trabalhava na mesma escola da agressora, podendo a detida saber mais sobre a vida privada da pessoa em questão. Os outros não. Num dos casos, a suspeita traçou pormenores sobre o filho da vítima, porque tinha conhecimento direto da vida da criança.

A PJ diz que, em todos os casos, a professora jogou com a vida íntima dos visados, ameaçando-os. E, nos casos das ameaças de morte, as vítimas viviam em pânico. “Ficamos com a suspeita que isto já decorria há muito tempo”, refere a mesma fonte.

Quando foi detida, a suspeita nada disse. “Não se movimentou enquanto não percebeu que dominávamos a informação. É uma pessoa inteligente, que terá um QI acima da média. Revelou a capacidade de obter informação, de trabalhá-la e de manipular as próprias vitimas”, diz a fonte da PJ.

A investigação prossegue para apurar quantas vítimas e quanto dinheiro está em causa e se a suspeita tinha algum cúmplice ou agia sozinha.