O primeiro-ministro manifestou o seu “orgulho” em relação ao percurso e à dimensão económica da EDP, num discurso em que agradeceu à elétrica portuguesa por suportar agora uma maior fatura com a tarifa social de energia.

António Costa falava na sessão “Prémios EDP solidária 2016”, no Museu da Eletricidade, perante o presidente executivo da EDP, António Mexia, que nesta terça-feira criticara o Governo por ter transferido para as empresas de energia a totalidade dos custos com a tarifa social, o que torna o caso português “uma exceção”.

Apesar desta posição de António Mexia, o primeiro-ministro agradeceu à EDP, “tal como às outras empresas de distribuição de energia a operar no mercado nacional, a fatura acrescida que vão suportar com a tarifa social da energia”.

“É um fator essencial para a coesão social, para o combate à pobreza e, simultaneamente, um custo para as empresas. Quando o Estado impõe às empresas um ónus, é justo que esse mesmo Estado o reconheça e agradeça”.

Costa deixou ainda mais um comentário sobre esta matéria relacionada com a expansão da tarifa social de energia, medida desde sempre apoiada pelo Bloco de Esquerda e PCP. “Sei que cumprir a lei é um dever, mas também sei que há normas e deveres que são impostos e que é justo que sejam acompanhados do devido agradecimento. A tarifa social merece o nosso reconhecimento pelo esforço que isso implica para as empresas, particularmente para a EDP”, afirmou.

Com os ministros da Saúde, Adalberto Costa Fernandes, e da Defesa, Azeredo Lopes, na primeira fila da plateia, que por sua vez tinham ao seu lado o antigo comissário europeu António Vitorino e o ‘chairman’ da EDP, o antigo ministro das Finanças Eduardo Catroga, António Costa abriu o seu discurso com uma manifestação “de orgulho” pelo percurso e pela atividade da EDP.

“Por trás da Fundação EDP temos uma empresa que deve ser um motivo de orgulho para os portugueses. Uma empresa que soube fazer a transição de um regime de monopólio para o mercado aberto, que foi capaz de inovar, de atrair investimento estrangeiro e de se internacional”, considerou o primeiro-ministro.

António Costa advogou mesmo que a EDP contribuiu para “afirmar Portugal como uma marca distintiva nas energias renováveis”.

“Hoje, Portugal é uma referência das energias renováveis, – um desafio que é central para enfrentar as alterações climáticas, graças à EDP. Por isso, o primeiro motivo por que estou aqui é porque tenho orgulho na empresa que está por trás desta fundação”, afirmou ainda o chefe do executivo.

O primeiro-ministro elogiou ainda a EDP por “saber afirmar-se” no país e nos mercados internacionais, sendo “mais do que uma empresa” ao ser “um mecenas no domínio cultural”.

“Brevemente, teremos aqui ao lado [do Museu da Eletricidade] um novo grande equipamento cultural. Mas a EDCP é também uma empresa que assumiu a sua responsabilidade social”, acrescentou, numa referência ao programa “EDP solidária”.

Na intervenção anterior, o presidente executivo da EDP, de forma diplomática, não se referiu nem indiretamente à questão ao agravamento dos custos a suportar com a tarifa social de energia e até elogiou António Costa por ter chegado à sessão num carro elétrico.

“Esse é o modo de contribuirmos para um mundo mais sustentável”, disse António Mexia, antes de classificar a EDP como o maior mecenas nacional na área da cultura e a maior empresa doadora nas áreas sociais da saúde e da educação.

Segundo a elétrica portuguesa, o programa “EDP solidária” visa apoiar projetos que “promovem a melhoria da qualidade de vida de pessoas e comunidades em situação vulnerável ou em risco de exclusão social, através de um apoio de 2,1 milhões de euros”.