António Ramalho Eanes

Ramalho Eanes apela à construção de pactos de regime

Em entrevista à Antena 1, Ramalho Eanes pede um verdadeiro pacto estratégico para o país, envolvendo todos os partidos. Elogia Marcelo e Cavaco, e homenageia Jerónimo pela "enorme coragem".

"Um pacto desta natureza exige participação de maior dimensão, com todos os principais partidos", defende Ramalho Eanes

Hugo Amaral

Autor
  • Miguel Santos Carrapatoso

O antigo Presidente da República António Ramalho Eanes não poupa elogios a Jerónimo de Sousa e ao PCP pelo seu papel na nova aliança parlamentar. Não esquece Cavaco Silva e o seu comprometimento com o país e admite que Marcelo Rebelo de Sousa tem estado bem nos primeiros dias em Belém. A prioridade deve ser agora a construção de um verdadeiro pacto estratégico para o país, que envolva todas o partidos, empresários e parceiros sociais.

Foi precisamente isso que defendeu em entrevista à Antena 1, onde revelou algumas linhas gerais do caminho que propõe para o país. O mesmo pacto que defendeu dois dias antes das comemorações do 25 de Abril, numa iniciativa do PSD em Santarém que teve a presença de Pedro Passos Coelho.

Argumentando que áreas como a política externa, europeia e financeira, saúde, segurança social, educação e justiça são áreas de consenso generalizado, Ramalho Eanes acredita que é possível chegar a um acordo naquilo que é o essencial. De resto, se todos partidos, empresários e parceiros sociais reconhecem que é urgente encontrar soluções, “porque não passamos à ação?”, questiona o antigo Presidente da República.

“Um pacto desta natureza exige participação de maior dimensão, com todos os principais partidos”, defende Ramalho Eanes, puxando para o centro de decisão o PSD e PS, mas também Bloco, PCP e CDS. Não se trata de propor um novo Bloco Central. Trata-se de uma “estratégia que englobe todos, partidos e sociedade civil” que permita assinar um pacto “para 10, 20 anos”. “Em democracia quem está no poder hoje não está amanhã. É para ser discutido agora e para se implementar quando houver condições políticas para isso”, sublinhou o general.

Nessa mesma medida, não deixa de elogiar o papel desempenado pelos novos comunistas nesta nova realidade parlamentar. “A alteração verificada no PCP é muito mais notável” do que a ocorrida no Bloco de Esquerda. Jerónimo de Sousa, diz Eanes, revelou “uma enorme coragem” ao suportar António Costa, ainda que não possa simplesmente “cortar com passado”. “[O líder comunista] tem sido inteligente nesta metamorfose. Aquilo que aconteceu é importante. Merece o nosso louvor”, sublinhou o antigo Presidente da República.

Ainda assim, Ramalho Eanes considera essencial que todos contribuam para a criação de um clima de pacificação e de consensos mínimos. E, aí, o novo Presidente da República terá um papel fundamental.

Para já, Marcelo Rebelo de Sousa “tem estado bem”. No essencial. “Pode contar com o meu apoio, o de um homem livre”, garante o antigo Presidente da República que apoiou António Sampaio da Nóvoa nas eleições. Mais: Ramalho Eanes acredita que o novo Presidente terá sempre presentes os limites do seu mandato. “Não tenho medo nenhum de que haja uma ultrapassagem dos limites constitucionais estabelecidos. Ele sabe até onde pode ir e até onde deve ir. Se porventura isso não acontecesse, nós temos numa democracia consolidada, pelo que as formações partidárias e parlamento fariam com que ele observasse esses limites”, lembrou Eanes.

Quanto a Cavaco Silva, que deixou o cargo com índices de popularidade baixos, Ramalho Eanes deixa algumas palavras de consideração: mesmo admitindo que o Presidente da República deveria ter “optado pela decisão do Parlamento [na atual solução governativa] sem grande relutância”, o general acredita que Cavaco sempre se preocupou com o país.

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