Pela primeira vez em 14 anos, Espanha deverá parar a 11 de novembro, com uma greve geral. Os sindicatos espanhóis CCOO e UGT, que já tinham ameaçado com uma greve antes das eleições de 29 de novembro, convocaram esta quarta-feira a paralisação, noticiou o El País. Poderá ser esta a primeira greve geral apoiada pelos sindicatos em 14 anos, considerando que a última com esta mesma dimensão ocorreu em 2012.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez disse na passada terça-feira que as dificuldades de acesso à habitação “afetam muitos trabalhadores e famílias” e que “a única coisa que o Governo pode fazer é respeitar esse direito constitucional”. A paralisação que deve durar 24 horas surge na sequência de uma série de manifestações realizadas naquele país nas últimas semanas para exigir salários que permitam o acesso à habitação.
A intenção de realizar a greve foi anunciada na passada segunda-feira, após o Congresso espanhol rejeitar dois decretos relacionados com a habitação. No mesmo dia, o presidente do Governo espanhol convocou a antecipação das eleições, que só aconteceriam em 2027.
“Por um salário digno, por um teto onde viver e para que os preços deixem de nos asfixiar”, escreve a CCOO no anúncio da greve geral. “Os sindicatos incorporam o conflito de rendimentos no âmbito das grandes mobilizações pela habitação. Os salários não chegam para pagar a habitação e fazer face à inflação”, sublinha, por outro lado, a UGT.
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As associações empresariais criticaram o anúncio, lançando dúvidas sobre a legalidade – por considerarem que não se centra numa questão laboral – e questionando a oportunidade, quando acabam de ser convocadas eleições.
A greve tem um “claro componente político e eleitoral” e parece ter mais como alvo a oposição do que o Governo em funções, disse o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Antonio Garamendi.
Também os maiores partidos da oposição, o Partido Popular (PP, direita) e o Vox (extrema-direita), criticaram esta greve. “É uma decisão eminentemente política com a intenção de favorecer a ação política de Pedro Sánchez”, defendeu esta quarta-feira o porta-voz do PP, Borja Sémper.
O PP realça que “os sindicatos acordaram” após oito anos de governos liderados por Sánchez, cujo “grande fracasso” é a habitação, com os preços das casas e os arrendamentos a dispararem nos últimos anos.
No sábado, foram realizadas mais de 50 manifestações naquele país, sendo uma delas em Madrid, onde os participantes se mostraram com uma faixa em que se podia ler “rumo à greve geral”. A série de protestos ganhou força após um caso que repercutiu em Espanha: o de uma mulher de 87 anos que foi despejada da casa onde viveu durante mais de 70 anos.
Internada num hospital, Maricarmen Abascal soube entretanto que poderá voltar para casa, após um acordo entre os seus representantes legais e a empresa que detém o apartamento.
*Notícia atualizada às 13h40 a incluir as declarações de associações empresariais e dos partidos da oposição ao Governo espanhol.