O diretor-geral da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) assegurou esta terça-feira existirem indícios “extremamente preocupantes” de que o grupo extremista Estado Islâmico tem condições para produzir armas químicas na Síria e no Iraque.

“É possível que as tenham produzido eles mesmos, o que é extremamente preocupante. Isso quer dizer que têm a tecnologia, os conhecimentos e o acesso às substâncias que podem ser utilizadas na produção de armas químicas”, afirmou Ahmet Üzümcü, citado pela agência de notícias francesa AFP.

Em fevereiro, o diretor da CIA (serviços secretos federais norte-americanos), John Brennan, declarou ao canal televisivo CBS News que os combatentes do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI) tinham capacidade para fabricar pequenas quantidades de cloro e gás mostarda.

A coligação internacional que combate o EI realizou, no início de março, bombardeamentos contra instalações do grupo, reduzindo “a capacidade do EI para produzir armas químicas”, segundo o porta-voz do Pentágono Peter Cook.

As equipas de investigadores da OPAQ tinham encontrado provas de que havia sido utilizado gás mostarda em agosto no Iraque e na Síria, nomeadamente em Marea, na província de Alepo.

Desde há vários meses que a OPAQ vem dando conta — sem se pronunciar sobre os responsáveis – do recurso recorrente ao gás sarin, ao gás mostarda e ao cloro nos combates que há cinco anos destroem a Síria e já fizeram mais de 260.000 mortos.

“Há fortes suspeitas de que os ‘jihadistas’ terão usado” armas químicas, sublinhou Ahmet Üzümcü, embora recusando-se a mencionar ataques específicos.

A 09 de março, um ataque químico à cidade de Taza, no norte do Iraque, imputado aos ‘jihadistas’ do EI, matou três crianças e provocou ferimentos em 1500 pessoas.

No início de abril, a Rússia e a China propuseram ao Conselho de Segurança uma resolução destinada a impedir a aquisição de armas químicas por grupos extremistas nos países vizinhos da Síria, como o Iraque e a Turquia.