Sete anos depois do início da construção entre Vila Real e Amarante, a Autoestrada do Marão — Túnel do Marão é inaugurada do sábado permitindo a ligação à Autoestrada 4 (A4) para o Porto e para Bragança.

No interior do túnel, que rasga a serra do Marão, a aposta foi na segurança máxima. A infraestrutura dispõe de 18 subsistemas de segurança ativa que atuam em conjunto e são geridos por um sofisticado sistema de automação.

André Oliveira, coordenador do empreendimento, explicou à agência Lusa que todo o túnel está coberto por um sistema de videovigilância, com 126 câmaras, e de deteção automática de incidente. Em caso de anomalia, carro parado ou incêndio, a câmara mais próxima do local foca a anomalia, puxa a situação para o ‘vídeo wall’ do centro de controlo onde em permanência estão dois operadores.

É o próprio sistema que sugere formas de atuação de acordo com a gravidade da ocorrência e o procedimento de emergência que deve ser tomado. Os operadores podem comunicar com os utentes através dos painéis luminosos de informação, dos megafones instalados ao longo da estrutura ou através da rádio, já que a mensagem pode interromper a emissão de uma das quatro rádios que poderão ser ouvidas no interior.

Ao longo de toda a extensão existem dois passadiços para encaminhar os utentes para as 13 passagens de emergência, seis das quais permitem a passagem dos veículos para a outra galeria que poderá ser encerrada para a evacuação ou passagem dos veículos de emergência. O empreendimento inclui dois túneis, duas galerias gémeas, que foram construídos em paralelo.

André Oliveira frisou que o Túnel do Marão “cumpre todos os requisitos de segurança” e, em algumas situações, vai até para além do que é imposto por lei, como, por exemplo, a nível das bocas-de-incêndio que estão colocadas de 180 em 180 metros (a lei impõe 200) ou nas galerias de emergência que distanciam 400 metros (lei estabelece 500). No interior há também 82 postos SOS, 470 altifalantes, rede de telemóvel para facilitar as comunicações e foram instalados 72 ventiladores.

O túnel possui uma coluna de água que percorre toda extensão e alimenta as bocas-de-incêndio, ainda sensores de opacidade, de gases como monóxido de carbono e óxido nítrico, de diferenças de temperatura, de medição de velocidade, de orientação e de iluminação.

Todos estes sistemas têm como objetivo a máxima segurança do túnel e colheram informação em situações passadas. Em 1999, no interior do Túnel Monte Branco, entre França e Itália, um camião incendiou-se e 39 pessoas acabaram por morrer devido ao fumo e temperaturas elevadas. Entre as diferenças nos dois túneis está por exemplo a existência de duas galerias no Marão, enquanto o Monte Branco possui apenas uma.

Dentro do túnel transmontano estarão a postos, 24 horas por dia, dois operadores que dispõe de carros de assistência equipados com meios de primeira intervenção.

Segundo a Infraestruturas de Portugal (IP), concluir o túnel custou 88 milhões de euros, dos quais cerca de 17 milhões de euros foram reservados para os equipamentos de segurança.