A União Europeia quer que as chaleiras elétricas, torradeiras ou secadores de cabelo passem a ser eletrodomésticos mais eficientes e por isso, pretende regular esta categoria de utensílios de cozinha, de modo a conseguir maior eficiência energética. A possibilidade de acabar com a venda de chaleiras antigas, com maior consumo energético, está já a agitar o debate sobre a saída do Reino Unido da UE.

A Comissão Europeia (CE) quer implementar restrições ‘ecodesign’ nos lares europeus para conseguir acabar com eletrodomésticos que são energeticamente ineficientes, de forma a diminuir as emissões de dióxido de carbono – o comissário Jyrki Katainen, vice-presidente da Comissão para o Emprego e Competitividade referiu mesmo que a poupança energética com esta mudança pode equivaler ao consumo total anual da Áustria e Portugal. Estas medidas estão a ser previstas há alguns meses e foram debatidas na reunião do colégio de comissários de 20 de abril. No entanto, não houve referência direta nem a chaleiras, nem secadores, sendo que a medida pretende abranger todos os pequenos eletrodomésticos.

Segundo a imprensa britânica, estas medidas não terão sido divulgadas devido à influência no referendo sobre a possível saída do Reino Unido da União europeia, o ‘Brexit’, informa o Telegraph. A questão da comunicação desta medida foi abordada na reunião e os comissários afirmaram que a implementação devia ser cautelosa para não ser compreendida como uma intrusão da União Europeia na vida dos cidadãos. O jornal refere que a Comissão Europeia teme a forma como esta medida pode influenciar os ingleses devido ao seu tradicional chá das cinco, muitas vezes acompanhado por torradas. Segundo o Telegraph, o Reino Unido deverá ser o país mais afetado pela medida, já que um terço das vendas de chaleiras elétricas na União Europeia pertence à Grã-Bretanha.

Fonte da Comissão disse ao Observador que “não há qualquer discriminação contra as chaleiras” e que medida prevê apenas uma melhor categorização dos pequenos eletrodomésticos.