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Seria o próprio embaixador dos EUA a presidir ao evento, não fosse o cancelamento do voo de Boston para Lisboa. Sem a presença de Robert Sherman, como era esperado, coube a Mark Pannell (conselheiro de Imprensa, Cultura e Educação da embaixada) substitui-lo e discursar na cerimónia. A embaixada dos EUA em Portugal hasteou esta terça-feira a bandeira arco-íris, representativa do Orgulho LGBTI, e anunciou que o embaixador Sherman vai participar na Marcha do Orgulho LGBTI de Lisboa, na próxima tarde de sábado.

As pessoas LGBTI enfrentam discriminação, violência e até a morte simplesmente por serem quem são”, destacou o conselheiro, em alusão ao ataque de Orlando.

O evento estava marcado há cerca de duas semanas, muito antes de se imaginar um massacre num bar gay dos EUA. O motivo da cerimónia era a comemoração do Mês do Orgulho LGBTI (LGBTI Pride Month), marcado em junho em homenagem à Revolta de Stonewall (junho de 1969), uma série de manifestações pela liberdade de orientação sexual e identidade de género que marcaram o início do movimento. A isto acrescentava-se a celebração do primeiro aniversário do casamento homossexual em todos os estados dos EUA, aprovado a 26 de junho do ano passado. Mas o momento acabou por ser mais de reflexão do que de festejo.

“Quando planeámos este evento, era para ser de alegria. Mas, este ano, o que aconteceu a três mil quilómetros de distância daqui acabou por mudar este dia”, lamentou Mark Pannell. Esta é a 2ª vez que a embaixada dos EUA hasteia a bandeira arco-íris: fê-lo pela primeira vez a junho do ano passado.

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“O Pulse era um local para as pessoas LGBTI se juntarem e viverem como são. Estavam lá para uma noite de animação para ouvir musica latina e dançar. Estavam a fazer uso da liberdade de puderem ser felizes, liberdade dada a todos os americanos. Agora, 49 vítimas inocentes perderam a vida”, sublinhou o conselheiro. A bandeira arco-íris ficou a meia haste em homenagem às vítimas.

Embaixada EUA, bandeira LGBTI, lgbti, catarina marques rodrigues, 2016,

A bandeira representa as diversas cores do arco-íris, numa alusão à diversidade na orientação sexual e identidade de género. O momento foi assinalado na embaixada, em Lisboa. (MICHAEL M. MATIAS/OBSERVADOR)

No evento em Lisboa estiveram presentes vários representantes de associações LGBTI, como a ILGA, a AMPLOS e a Tudo Vai Melhorar, mas também figuras do meio público português como o deputado Alexandre Quintanilha e o marido e escritor Richard Zimler.

O ataque de Orlando contrasta com a aprovação de leis para dar mais direitos à comunidade LGBTI, apontou Pannell, e isso é um sinal de que “ainda há muito trabalho a fazer para eliminar a intolerância da nossa sociedade” para com aquelas que lutam por “direitos iguais” mas também “pela segurança de poderem viver as suas vidas”. No sábado, já em solo português, Robert Sherman vai desfilar na marcha que arranca no Príncipe Real.