O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, avançou, esta quinta-feira, em entrevista à RTP, algumas das 131 medidas de capitalização das empresas, que resultam da análise e diagnóstico realizado pela Estrutura de Missão, que serão apresentadas publicamente esta tarde. Muitas delas já estão em marcha.

O governante referiu algumas medidas em concreto, como a criação de linhas de financiamento para que as empresas possam ter acesso direto a financiamento com “custos e riscos menores” e assim diminuir o endividamento das empresas. Serão também introduzidas novas linhas de capitalização para que as empresas se possam financiar a si mesmas, em vez de recorrerem ao Estado. O ministro afirma que assim, se os investimentos não correrem bem, as empresas “não ficam depois afogadas em juros”.

Caldeira Cabral expressou uma das vontades dos intervenientes no desenvolvimento das medidas: “Queremos equipas a investirem mais e a criarem mais emprego”.

O ministro da Economia referiu ainda a vontade de “igualar os benefícios fiscais” de quem investe capital próprio nas empresas e das empresas que se financiavam na banca. Atualmente, apenas as empresas que se financiavam na banca “podiam deduzir os juros aos seus custos”, ressalvando que esta medida não pretende que uma prática “substitua a outra”.

“Não queremos que uma situação substitua a outra, pelo contrário, temos também linhas de financiamento com garantia do Estado que significam que as empresas podem ir buscar capital para se financiar com dívida; o que queremos é que sendo uma dívida com garantia do Estado não tenha juros tão elevados e tenha condições de pagamento mais amplas para que as empresas possam investir com segurança.”

Caldeira Cabral afirmou que as medidas fazem parte de “um plano ambicioso mas realista”. O ministro afirmou que estão também previstas dívidas de restruturação para as empresas que estão em dificuldade, “um trabalho muito importante feito com o Ministério da Justiça e das Finanças para que as empresas em dificuldades mas com viabilidade económica possam reduzir o peso da sua dívida e possam continuar em frente, mantendo empregos, voltando a investir e criando mais riqueza em Portugal”.

As medidas de capitalização já estão a ser implementadas, segundo o ministro da Economia, que referiu também que os fundos de capital de risco estão já no “terreno a ser subscritos”.

O ministro referiu ainda a importância das contracorrentes, uma medida que significa que quem tem créditos ao Estado não tem de pagar impostos, até a sua dívida ser saldada, uma “boa solução para donos de pequenas e médias empresas”.

Antes da conferência de imprensa que tem início às 17h30, realiza-se às 15h30 a segunda reunião com a Estrutura de Missão para ser apresentada a lista completa de medidas de capitalização.