Rádio Observador

Novo Banco

Quatro ofertas para o Novo Banco. Santander e BCP fora da corrida

O Banco de Portugal recebeu quatro propostas vinculativas para a compra do Novo Banco. Dois dos principais bancos em Portugal, o Santander e o BCP, não apresentaram ofertas.

TIAGO PETINGA/EPA

O Banco de Portugal recebeu quatro propostas de aquisição para o Novo Banco que vão ser analisadas “à luz dos critérios de admissibilidade e seleção estabelecidos no caderno de encargos”. Em comunicado, o supervisor esclarece que em função dessa análise, “será tomada uma decisão sobre qual das vias – Procedimento de Venda Estratégica ou Procedimento de Venda em Mercado – será seguida para concluir o processo de alienação da participação detida pelo Fundo de Resolução no Novo Banco”.

O Banco de Portugal não divulga os concorrentes por razões de confidencialidade, mas segundo o Expresso, dois dos principais bancos a operar no mercado português terão ficado de fora da corrida ao Novo Banco. O Santander e o BCP não apresentaram ofertas para a compra de uma parte ou da totalidade da instituição que resultou do Banco Espírito Santo, avança o jornal. Não foi possível confirmar se o BPI ou o seu maior acionista, o CaixaBank, entregaram proposta. Também não se sabe se as ofertas são para a totalidade do banco ou apenas para alguns ativos.

O prazo para a entrega de ofertas vinculativas terminou esta quinta-feira às cinco da tarde e o presidente do BCP, Nuno Amado, já tinha sinalizado esta semana que a data “não era ideal”, sobretudo depois do resultado do referendo no Reino Unido e os seus efeitos colaterais nos mercados que voltam a atingir a banca. Ainda segundo o Expresso, o BCP terá escrito uma carta a manifestar abertura para voltar a olhar para o processo em determinadas situações.

Contactados pelo Observador, Santander e BCP não comentam a informação. O concurso para a alienação do Novo Banco exige apertadas regras de confidencialidade aos concorrentes e no passado o Banco de Portugal limitou-se a divulgar o número de ofertas sem identificar quem as apresentou. No entanto, a informação acaba sempre por sair.

Entre os grupos apontados como interessados estavam também o BPI, ou seu maior acionista, o CaixaBank, e fundos de investimento, entre os quais a americana Apollo. Na primeira tentativa de venda do Novo Banco, realizada há pouco mais de um ano, Santander, BPI e Apollo apresentaram ofertas, mas só o fundo de investimento que é dono da Tranquilidade chegou à fase final de negociação com os chineses da Fosun e da Anbang.

Primeiro a bolsa chinesa, agora o Brexit

O concurso acabou por ser cancelado quando o Banco de Portugal, ainda com o anterior governo, concluiu que as ofertas financeiras não eram satisfatórias. Um dos fatores apontados para explicar um arrefecimento do interesse dos investidores chineses no negócio foi a crise que atingiu os mercados chineses de forma mais aguda no verão do ano passado. Agora a tempestade vem do oeste.

Caso falhe o processo de venda a investidores estratégicos, o cenário B para a venda do Novo Banco passa pela dispersão em bolsa de uma parte do capital, mas esta solução terá ficado fragilizada, ainda mais, pela instabilidade e incerteza que resultam do Brexit. A entrada no mercado de capitais da instituição estava já contudo em dúvida antes do resultado do referendo britânico porque a informação apresentada sobre o banco e a sua estratégia futura não foram consideradas suficientes pelo regulador da bolsa nacional.

A venda do Novo Banco tem sido contestada à esquerda e o cenário de manutenção da instituição na esfera do Estado tem sido defendido por algumas personalidades que receiam o fenómeno da espanholização da banca. O governo de António Costa tem dado prioridade à solução de venda que foi negociada com a Comissão Europeia, num plano que prevê que a operação se realize até agosto de 2017. O comunicado emitido esta quinta-feira pelo regulador não admite o cenário da não venda, ao contrário da posição assumida no ano passado quando o Banco de Portugal admitia de forma expressa esse cenário.

Formalmente o vendedor do Novo Banco é o Fundo de Resolução que é o acionista, mas na prática o processo é conduzido pelo Banco de Portugal que depois de reconhecer algumas limitações na primeira tentativa feita no ano passado, reforçou a equipa vendedora com a contratação do Deustsche Bank como assessor financeiro e de Sérgio Monteiro, o antigo secretário de Estado das Obras Públicas que protagonizou os principais processos de privatização realizados pela coligação PSD-CDS.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: asuspiro@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)